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domingo, 21 de março de 2010

Pontormo e Rosso -

Os maneiristas cultivavam deliberadamente a excentricidade de suas obras.Alguns eram igualmente excêntricos na vida privada. Dizia-se que Rosso, que morava com um  macaco, um baduíno, desenterrava cadáveres porque o processo de decomposição o fascinava. Seus quadros geralmente têm um aspecto sinistro. Sant’Ana, por exemplo, foi representada por Rosso como uma bruxa desfigurada. Ao ver um de seus quadros macabros, um padre saiu correndo, gritando que o pintor  estava possuído pelo demônio.

Sant'Ana, Rosso Sant’Ana, Rosso

 

Pontormo era comprovadamente louco. Hipocondríaco obcecado pelo medo da morte, morava sozinho numa casa exageradamente alta, que ele construiu para se isolar. Seu quarto, no sótão era acessível apenas por uma escada portátil, que ele recolhia depois de subir. Seus quadros mostram sua bizarra sensibilidade. A perspectiva é irracional e as cores – lavanda, coral, marrom, arroxeado, verde-veneno – são instáveis. As figuras em geral têm um olhar selvagem, como se compartilhassem da ansiedade paranóica de seu criador.

A ceia de Emaús, Pontormo, Galeria Uffizi, Florença A Ceia de Emaús, Pontormo

Carol Strickland, Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno

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sábado, 20 de março de 2010

A Renascença Espanhola

O mais notável artista da Renascença na Espanha foi o pintor El Greco (1541-1614). Nascido em Creta (então sob o domínio de Veneza), seu primeiro aprendizado foi no altamente padronizado e chapado estilo bizantino. Indo para Veneza, adotou as cores vívidas de Ticiano e a iluminação dramática de Tintoretto e foi também influenciado por Michelangelo, Rafael e pelos maneiristas de Roma. Seu nome verdadeiro era Domenikos Theotocopoulos, mas tinha o apelido de “El Greco”, e mudou-se para Toledo quando tinha cerca de 35 anos de idade.

Nessa época, a Contra-Reforma e a Inquisição mantinham a Espanha num estado de furor religioso. Muitos dos quadros surreais, intensamente emocionais de El Greco, refletem essa atmosfera de fanatismo.

Artista extremamente autoconfiante, El Greco disse certa vez que Michelangelo não sabia pintar e se ofereceu para consertar “O Juízo Final”. Dizia também que detestava sair à luz do sol porque “a luz do dia cega a luz de dentro”. A característica mais marcante de sua pintura advém dessa luz interna. Uma iluminação sobrenatural, espectral, se insinua na tela, fazendo de seu estilo o mais original da Renascença.

Ressurreição, El Greco, c. 1597-1604. Museu do Prado, Madrid, Espanha Ressurreição, El Greco

Os críticos discutem se El Greco deve ou não ser considerado maneirista; alguns afirmam que ele é idiossincrático demais para caber numa classificação. Sua arte manifesta inegáveis atributos maneiristas, como a luz fantasmagórica e as cores adstringentes: rosa forte, verde-ácido, azuis e amarelos luminosos. As figuras são distorcidas e alongadas – a escala é variável -  e as composições são plenas de movimento espiralado. Nos quadros com temas religiosos – mas não nos retratos – El Greco não dava importância à representação exata do mundo visível. Preferia criar uma visão, carregada de emoção, do êxtase celestial.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno

Idiossincrático: relativo ao modo de ser, de sentir próprio de cada pessoa, relativo à disposição particular de um indivíduo para reagir a determinados agentes exteriores.

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sexta-feira, 19 de março de 2010

Maneirismo e Renascença Tardia

Entre a alta Renascença e o Barroco, desde a morte de Rafael, em 1520, até 1600, a arte ficou num impasse. Michelangelo e Rafael eram chamados “divinos”. Os reis imploravam por suas obras, ainda que fossem  ínfimas. Todos os problemas de representação da realidade haviam sido resolvidos e a arte atingia o auge da perfeição e da harmonia. E agora?

A resposta foi trocar a harmonia pela dissonância, a razão pela emoção, a realidade pela imaginação. Num esforço de originalidade, os artistas da Renascença tardia, chamados maneiristas, abandonaram o realismo baseado na observação da natureza. Ansiosos por algo novo, exageravam a beleza ideal representada por Michelangelo e Rafael, buscando a instabilidade ao invés do equilíbrio.

Os tempos favoreciam a desordem. Roma tinha sido tomada pelos germânicos e espanhóis, e a Igreja tinha perdido sua autoridade durante a Reforma. Na época mais estável da Alta Renascença, a pintura tinha uma composição simétrica, com o peso dirigido para o centro. Na Renascença tardia, a composição se tornou oblíqua, com um vazio no centro e as figuras concentradas – frequentemente cortadas – junto à moldura. Era como se o caos mundial e a perda de uma fé unificadora (“O centro não pode suportar”, como diria mais tarde W.B. Weats) se refletissem na pintura, tirando-lhe o equilíbrio e a nitidez.

O nome “Maneirismo” vem do italiano di maniera, com o significado de uma obra-de-arte realizada conforme o estilo do artista, e não ditada pela representação da natureza. A pintura maneirista é prontamente identificável pelo estilo. As figuras tremem e se torcem num contrapposto desnecessário. Os corpos são distorcidos – geralmente alongados, mas às vezes pesadamente musculosos. As cores são sombrias, aumentando a impressão de tensão, movimento e iluminação  irreal.

 

Descida da Cruz, Pontormo, (1523-1528) Descida da Cruz, Pontormo (1523-1528)

Maneiristas notáveis foram  Pontormo e Rosso; Bronzino, cujos retratos elegantes e cheios de preciosismo exibiam pescoços longos e ombros caídos; Parmigiano, cuja “Madona de Pescoço Comprido” ostentava distorções físicas semelhantes; e Benvenuto Cellini, escultor e ourives, famoso por sua arrogante autobiografia.

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quinta-feira, 18 de março de 2010

Holbein – Retratos Principescos

Hans Holbein, o Jovem (1497-1543), é conhecido como um dos maiores retratistas de todos os tempos. Assim como Dürer, Holbein misturava os pontos fortes do norte e do sul, unindo a técnica germânica de linhas e precisão realista à composição equilibrada, ao chiaroscuro, à forma escultural e à perspectiva italianas.

Embora nascido na Alemanha, Holbein começou a trabalhar em Basel. Quando a Reforma decretou a decoração “papal” das igrejas, as encomendas desapareceram e ele mudou-se para a Inglaterra. Seu protetor, o erudito humanista Erasmo, recomendou-o ao clérigo inglês Sir Thomas More, com as palavras: “Aqui [na Suíça] as artes estão congeladas.”. O impressionante talento de Holbein valeu-lhe a posição de pintor da corte de Henrique VIII, onde pintou retratos do rei e de quatro de suas esposas.

Henrique VIII, Hans Holbein, 1540Henrique VIII, Hans Holbein, 1540

“Os Embaixadores Franceses” ilustra sua técnica perfeita, evidente no padrão linear do tapete oriental e da cortina de damasco, a textura das peles e dos panejamentos, a impecável perspectiva do  chão de mármore, o suntuoso vidrado da cor e o minucioso realismo da superfície. O objeto em primeiro plano (um crânio distorcido) e numerosos instrumentos de erudição mostram o pendor nórdico para a  parafernália simbólica. Holbein pintava rostos com a mesma acurácia de Dürer, mas, em vez da intensidade dos retratos deste pintor, adotava a expressão neutra característica da arte italiana. O estilo de Holbein  estabeleceu os padrões para os retratos, que continuaram a ser a mais importante forma de arte na Inglaterra nos três séculos seguintes.

Os Embaixadores Franceses, Holbein, 1533, NG, Londres Os Embaixadores Franceses, Hans Holbein, 1533

Retrato de dois “homens universais” expressa a versatilidade da época. Objetos como o globo, o compasso, o quadrante solar, um alaúde e um livro de orações ilustram a gama de interesses, da matemática à música, Holbein explorou amplamente todas as técnicas descobertas na Renascença: as lições de composição anatomia, representação realista das formas humanas através da luz e da sombra, da intensidade das cores e da impecável perspectiva.

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  • Panejamento: O termo é usado para nomear a representação dos tecidos que vestem as figuras pintadas ou esculpidas, assim como o caimento, as dobras, pregas e o efeito dos panos que o artista procura reproduzir numa pintura ou escultura.
  • Acurácia: Cuidado, esmero, primor, perfeição

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quarta-feira, 17 de março de 2010

Dürer –Arte Gráfica

Recuperando o atraso em relação aos inovadores flamengos, os artistas germânicos, passaram à liderança da Escola do norte. No começo do século XVI, assimilaram os avanços pictóricos de seus pares do sul, Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael, Simultaneamente ao auge da criatividade artística italiana, aconteceu a Alta Renascença germânica, marcada pela austeridade da pintura religiosa de Grünewald, pelas perfeição técnica de Dürer e pelos insuperáveis retratos de Holbein.

Albert Dürer (1471-1528), primeiro artista nórdico de espírito renascentista, combinou o talento nórdico para o realismo com as conquistas da Renascença italiana. Chamado de “Leonardo do Norte” pela  versidade de interesses, Dürer era fascinado pela natureza e se aprofundou em estudos de botânica. Acreditando que a arte deveria se basear em cuidadosa observação científica ele escreveu: “A arte está firmemente fixada na natureza, e aquele que sabe encontra-la ali a possui.” Infelizmente, essa curiosidade acarretou seu falecimento, quando teve a ideia de  entrar  em um terreno alagadiço para observar o corpo de uma baleia e apanhou uma febre que o levou a morte.

Considerando sua missão levar a seus pares nórdicos as descobertas do sul, Dürer publicou o tratados de perspectiva e proporções ideais. Além disso, assumiu a posição de artista como cavalheiro e erudito, elevando o status da profissão, até então comparável à de mero artesão, a uma importância digna de um príncipe. Foi o primeiro a se deixar cativar pela própria imagem, deixando uma série de auto-retratos (pintou o primeiro aos 13 anos). Em seu “Auto-retrato” de 1500, pintou-se numa pose semelhante à de Cristo, indicando a exaltação do status do artista, para não mencionar a alta conta em que se tinha.

A reputação de maior artista da Renascença do norte se deve aos trabalhos gráficos de Dürer. Antes dele, as gravuras eram estudos primitivos em contraste preto-branco. Dürer adaptou a criação de formas por meio de hachura à gravação em madeira, conseguindo nuances de luz e sombra. Como gravador, usava o adensamento das linhas para expressar diferenças de textura e tons tão sutis quanto na pintura a óleo. Dürer foi o primeiro a usar a gravura como forma de arte maior.

Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, Dürer - c. 1497-98 - gravura “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, Dürer, gravura – MMA NY.

Dürer usava linhas finíssimas nas gravuras para obter nuances de tons e textura. Na gravura acima, a guerra, a fome e a morte assolam a humanidade

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Hachura: Técnica usada em desenho e gravura que consiste em traçar linhas finas e paralelas, retas ou curvas, muito próximas umas das outras, criando um efeito de sombra ou meio-tom. O termo encontra sua origem no francês hachure - hache, que significa "machado".

Adensamento: Tornar denso ou espesso

fonte: Enciclopédia Itaú Cultural - Artes Visuais

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terça-feira, 16 de março de 2010

Gravura/Xilogravura/ Gravura em Metal

Gravura: Invenção das artes Gráficas

Uma das mais populares (e ainda acessíveis) formas de colecionar arte nos últimos anos é a gravura em edição limitada, em que o artista supervisiona o processo de reprodução e assina cada cópia. A arte da gravura floresceu na Renascença do norte.

Xilogravura

A técnica mais antiga no ocidente (conhecida há longo tempo na China) é a xilogravura, que surgiu por volta de 1400 na Alemanha. Nesse método, riscava-se o desenho num pedaço de madeira macia. As partes em branco (chamadas “espaço negativo”) eram cortadas, deixando o desenho em relevo que, por sua vez, era coberto de tinta e prensado contra o papel. Os milhares de cópias assim produzidos podiam ser vendidos a um preço irrisório. Pela primeira vez a arte se tornava acessível às massas, e os artistas podiam aprender através das reproduções de trabalhos dos outros. O desenvolvimento da impressão com tipos móveis, em meados do século XV, popularizou os livros ilustrados com xilogravuras.

A xilogravura atingiu seu ponto máximo com Dürer, mas foi sendo gradualmente substituída pelo método mais flexível e refinado da litogravura. No Japão, a xilogravura em cores sempre foi popular. No final do século XIX e no começo do século XX a xilogravura refloresceu na Europa, com trabalhos de Munch, de Gauguin e dos expressionistas alemães, que adotaram esse método devido à sua áspera intensidade.

Gravura em Metal

Tendo início por volta de 1430, a litogravura é uma técnica oposta ao relevo saliente da xilogravura. É um dos vários métodos conhecidos como intaglio (a tinta a ser transferida fica abaixo da superfície), em que a impressão é feita a partir de linhas ou cortes numa placa. Na litogravura, as ranhuras são feitas numa placa de metal (geralmente cobre) com um instrumento de aço chamado buril. Depois esfrega-se a tinta nas ranhuras, limpa-se as superfície e a placa é colocada numa prensa, de modo a transferir para o papel o desenho entalhado. As formas podem ser modeladas em linhas muito finas, de modo a criar nuances. Essa técnica floresceu no começo do século XVI, com Dürer, cujo uso do buril era tão sofisticado que, com a placa de cobre, ele obtinha efeitos de luz e volume muito aproximados aos conseguidos pelos holandeses no quadro a óleo e pelos italianos nos afrescos.

As técnicas de artes gráficas se tornaram populares nos séculos seguintes, com Daguerreótipo ou Água-Forte, Água-Forte a Ponta Seca, Litografia e Silks-Creen.

São Jerônimo, Dürer - 1514, litogravura, MMA, NY. São Jerônimo, Dürer, 1514, litogravura

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Leia Também:  Pieter Bruegel

segunda-feira, 15 de março de 2010

Pieter Bruegel

O pintor flamengo Pieter Bruegel (c. 1525-69) foi influenciado pelo pessimismo e pela abordagem satírica de Bosch. Bruegel adotou o tema da vida campestre, cenas de pessoas humildes no trabalho, em festas e danças, em que sempre aparece o aspecto satírico. “Casamento no Campo”, por exemplo, mostra os convidados comendo e bebendo em gulosa concentração. Além de elevar a pintura do gênero (cenas da vida cotidiana) à estatura de obra-de-arte, Bruegel ilustrou provérbios, como “Um Cego Conduzindo Outro”, com expressões faciais horrendas, bestiais, típicas das cenas bíblicas de Bosch.

O mais famoso quadro de Bruegel, “Caçadores na Neve”, é parte de uma série que apresenta as diferentes atividades humanas conforme os meses do ano. Sua preocupação com a vida campestre nos caçadores exaustos voltando para casa, em silhueta contra a neve. Bruegel usou aqui a perspectiva climática – da nitidez no primeiro plano às formas difusas no fundo – para dar profundidade à pintura.

 

Caçadores na Neve, Pieter Bruegel “Caçadores na Neve”, Pieter Bruegel, (1565)

Kunsthistorisches Museum, Viena Bruegel retratou os camponeses com honestidade e, ao mesmo tempo, foi satírico.

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domingo, 14 de março de 2010

Hieronymus Bosch

Não é difícil entender porque os surrealistas do século XX elegeram Bosch (c. 1450-1516) seu santo padroeiro. Os artistas modernos exploraram o imaginário irracional dos sonhos, mas não chegaram a superar a bizarra imaginação de Bosch.

A pintura moralista de Bosch sugere criativas formas de tortura aplicadas como punição aos pecadores. Imagens grotescas – monstros híbridos, meio humanos, meio animais – habitam suas estranhas, perturbadoras paisagens. Embora os críticos modernos tenham sido incapazes de decifrar um sentido subjacente, parece claro que Bosch acreditava que a humanidade, seduzida e corrompida pelo mal, deveria sofrer consequências catastróficas.

O Jardim das Delícias Terrestres, Hieronymus Bosch O Jardim das Delícias Terrestres, Hieronymus Bosch

O quadro é provavelmente uma alegoria advertindo contra os perigos do erotismo. Essas imagens perturbadoras fizeram de Bosch um precursor do Surrealismo.

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Leia Também: A Renascença do Norte

sábado, 13 de março de 2010

Jan Van Eyck

Inventor da pintura a óleo, o flamengo Hubert van Eyck era tão idolatrado por esta descoberta que seu braço direito foi  preservado como relíquia sagrada. Seu irmão, Jan van Eyck (c. 1390-1441), mais conhecido atualmente, usou o novo meio para alcançar os píncaros do realismo.

Com formação de miniaturista  e iluminador de manuscritos, Jan van Eyck pintou detalhes microscópicos em cores vivas. Um dos primeiros mestres da nova arte de pintar retratos, van Eyck chegava a pintar detalhes ínfimos como pontinhos de barba no queixo da figura. Seu “Homem de Turbante Vermelho”, que talvez seja um auto-retrato (1433), foi a primeira pintura a mostrar o modelo olhando para o espectador. Num dos mais célebres quadros da Renascença do norte, “As Bodas de Arnolfini”, van Eyck captou com exatidão a aparência e a textura das superfícies e produziu efeitos de luz direta e difusa ao mesmo tempo.

O Casal Arnolfini, de Jan Van Eyck, 1434. NG Londres. “As Bodas de Arnolfini”, Jan van Eyck

Mestre do realismo, van Eyck recriou a cena do casamento em miniatura refletida no espelho. Praticamente todos os objetos simbolizam aspectos do tema do quadro – a santidade do casamento. O cão representa a fidelidade, e os tamancos largados, deixando os pés descalços, representam o solo sagrado

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno

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sexta-feira, 12 de março de 2010

A Renascença do Norte

Nos Países Baixos, assim como em Florença, o desenvolvimento da arte começou por volta de 1420. Mas o que se chamou Renascença do Norte não foi um renascimento no sentido italiano. Nos Países Baixos – a Bélgica atual (então chamada Flandres) e a Holanda – os artistas não tinham ruínas romanas para redescobrir. Assim sua ruptura com o estilo gótico produziu um brilhante florescimento das artes.

Enquanto os italianos buscavam inspiração na antiguidade clássica, os europeus do norte se inspiravam na natureza. Na ausência da escultura clássica para ensinar as proporções ideais, pintavam a realidade exatamente como lhes parecia, num estilo realista detalhado. Os retratos guardavam uma semelhança tão exata que Carlos VI, da França, enviou um pintor a três cortes diferentes para pintar possíveis consortes (cônjuges, esposas), baseando sua escolha somente nos retratos.

Essa precisão foi viabilizada pelo novo veículo, a tinta a óleo, preferida pelos pintores renascentistas do norte. Como o óleo demorava mais que a têmpera para secar, dava tempo para os pintores misturarem as cores. Sutis variações de luz e sombra aumentavam a ilusão tridimensional. Usavam também a “perspectiva climática” – uma aparência mais esmaecida de objetos mais afastados – para sugerir profundidade.

Na expansão da Itália para o norte da Europa, a Renascença tomou diferentes formas.

Renascença Italiana

X

Renascença do Norte

CARACTERÍSTICA:

Beleza ideal

Realismo Intenso

ESTILO:

Formas simplificadas, proporções exatas

Traços realistas, honestidade sem bajulação

TEMAS:

Cenas religiosas e mitológicas

Cenas religiosas e domésticas

FIGURAS:

Nus masculinos heróicos

Cidadãos prósperos, camponeses

RETRATOS:

Formais, reservados

Revelam  a personalidade

TÉCNICA:

Afresco, têmpera, óleo

Óleo sobre madeira

ÊNFASE:

Estrutura anatômica subjacente

Aparência Visível

BASE DA ARTE:

Teoria

Observação

COMPOSIÇÃO:

Estática, equilibrada

Complexa, irregular

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Leia Também: Ticiano - Pai da Pintura Moderna

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Arquitetura na Renascença Italiana

Formada nos mesmos princípios da geometria harmoniosa em que a pintura e a escultura, a arquitetura recuperou o esplendor da Roma Antiga.  Os arquitetos renascentistas mais notáveis foram Alberti, Brunelleschi, Bramante e Palladio.

Escritor, pintor, escultor e arquiteto, Alberti (1404-72) foi o maior teórico da Renascença e deixou tratados de pintura, escultura e arquitetura. Ele menosprezava o objetivo religioso da arte e propunha que os artistas buscassem no estudo das ciências, como a história, a poesia e a matemática, os fundamentos de seu trabalho. Alberti  escreveu o primeiro manual sistematizado de perspectiva, oferecendo aos escultores as normas das proporções humanas ideais.

Outro renascentista de múltiplos talentos foi Brunelleschi (1377-1446). Excelente ourives, matemático, relojoeiro e arquiteto, ele é mais conhecido, porém, como o pai da engenharia moderna. Brunelleschi não só descobriu a perspectiva matemática como lançou o projeto da igreja em plano central, que veio a substituir a basílica medieval. Somente ele foi capaz de construir o domo da Catedral de Florença, chamada então a oitava maravilha do mundo. Sua técnica consistiu em construir duas células, uma apoiando a outra, encimadas por uma clarabóia estabilizando o conjunto. No projeto da Capela Pazzi, Brunelleschi utilizou motivos clássicos na fachada, ilustrando a retomada das formas romanas e a ênfase renascentista na simetria e na regularidade.

Filippo Brunelleschi - Capela Pazzi - Florença - Itália - 1429-1461 Capela Pazzi

 

Em 1502, Bramante (1444-1514) construiu o Tempietto (Pequeno Templo) em Roma, no local  onde São Pedro foi crucificado. Embora pequeno, é o protótipo perfeito da igreja com plano central encimada por domo, expressando os ideais renascentistas de ordem, simplicidade e proporções harmoniosas.

Tempietto, Bramante. 1444-1514. Roma Tempietto (Pequeno Templo), Bramante. 1444-1514. Roma

Famoso por suas vilas e seus palácios, Palladio (1508-80) teve enorme influência sobre os séculos posteriores através do seu tratado. Quatro Livros de Arquitetura. Pioneiros do neoclássico, como Thomas Jefferson e Christopher Wren, se basearam no manual de Palladio. A Villa Rotonda incorporou detalhes gregos e romanos, como pórticos, colunas jônicas, domo plano, como o do Panteon, e aposentos dispostos simetricamente em torno de uma rotunda central.

 

Villa Rotonda, Palladio, início em 1550. Vicenza. Villa Rotonda, Palladio, início em 1550. Vicenza

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Os Quatro Rs da Arquitetura da Renascença

Os quatro Rs da arquitetura renascentista são:

Roma, Regras, Razão e aRitmética (do inglês Rithmetic)

Roma

Em conformidade com sua paixão pelos clássicos, os arquitetos renascentistas mediam sistematicamente as ruínas romanas para copiar o estilo e a proporção. Retomaram elementos como arco pleno, construção em concreto, domo redondo, pórtico, abóbada cilíndrica e colunas.

Regras

Dado que os arquitetos se consideravam mais estudiosos do que construtores, baseavam seus trabalhos nas teorias apresentadas nos diversos tratados. As regras estéticas formuladas por Alberti tinham ampla aceitação.

Razão

As teorias enfatizavam a base racional contida nas ciências, na matemática e na engenharia. A razão pura substituía a mentalidade mística da Idade Média.

aRitmética

Os arquitetos dependiam da aritmética para produzir a beleza e a harmonia. Um sistema de proporções ideais assentava as partes de um edifício em relações numéricas, como a razão de 2/1 para uma nave com altura igual ao dobro da largura da igreja. As plantas dos prédios se baseavam em formas geométricas, principalmente no círculo e no quadrado.

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terça-feira, 9 de março de 2010

Ticiano – Pai da Pintura Moderna

Assim como seus contemporâneos venezianos, Ticiano (1490?-1576), que dominou o mundo da arte durante sessenta anos, usava as cores fortes como principal meio expressivo. Primeiro pintava a tela de vermelho, para dar calor ao quadro, depois pintava o fundo e as figuras em matizes vívidos e acentuava as tonalidades usando de trinta a quarenta camadas vidradas. Esse trabalhoso método possibilitava uma pintura convincente de qualquer textura, do metal polido ao brilho da seda, de cabelos louro-dourados à pele cálida. Um dos primeiros artistas a abandonar os painéis de madeira, Ticiano adotou o óleo sobre tela  como seu veículo característico.

 

Bacanal dos Adrianos Ticiano. 1518 - Museu do Prado Madrid - EspanhaBacanal dos Adrianos”, Ticiano,

Esta festa pagã contém os principais ingredientes do estilo inicial de Ticiano: cores fortes e contrastantes amplas formas femininas e composição assimétrica.

Depois que  sua esposa morreu, em 1530, a pintura de Ticiano emudeceu um pouco, tornando-se quase monocromática. Extremamente prolífico até os oitenta anos, à medida que sua vista enfraquecia, suas pinceladas amoleciam. No fim de sua vida, eram pinceladas largas, carregadas de tinta, largadas na tela. Um discípulo afirmou que Ticiano “pintava mais com os dedos do que com os pincéis”.

Prolífico: adj. Prolífero, Que faz prole,  fecundo, fértil, que tem prole numerosa

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Leia Também:  Rafael

domingo, 7 de março de 2010

Rafael

Dentre as três maiores figuras da Alta Renascença (Leonardo, Michelangelo e Rafael), Rafael seria eleito o mais popular. Enquanto os outros dois eram reverenciados, Rafael era adorado. Um contemporâneo dos três, chamado Vasari, que escreveu a primeira história da arte, afirmou que Rafael era “tão amável e bondoso que até os animais o amavam”.

O pai de Rafael, um pintor medíocre, ensinou ao precoce filho os rudimentos da pintura. Aos 17 anos de idade, Rafael era considerado um mestre independente. Aos 26 anos, chamado a Roma pelo papa para decorar os aposentos do Vaticano, pintou os afrescos, com ajuda de cinquenta discípulos, no mesmo ano em que Michelangelo terminou o teto da Capela Sistina. “Tudo o que ele sabe”, disse Michelangelo, “aprendeu comigo.”

Rico, bonito e bem-sucedido, seguindo de triunfo em triunfo, Rafael era uma estrela na esplendorosa corte papal. Dedicado admirador das mulheres, ele era “muito amoroso”, segundo Vasari, e tinha “prazeres secretos além de todas as medidas”. Quando apanhou uma febre, depois de um encontro à meia-noite, morreu, no dia que completaria 37 anos, toda a corte “mergulhou em luto”.

Escola de Atenas, Rafael. 1510-11 Vaticano Escola de Atenas, Rafael – Vaticano - Roma

Essa obra prima de Rafael encarna o equilíbrio da Alta Renascença, sua qualidade escultural, a perspectiva arquitetônica e a fusão de elementos pagãos e cristãos.

A arte de Rafael foi a que mais expressou todas as qualidades da Alta Renascença. De Leonardo, ele assimilou a composição piramidal e aprendeu a modelar rostos em luz e sombra (chiaroscuro). De Michelangelo, Rafael adotou as figuras dinâmicas, de corpo inteiro, e a pose contrapposto.

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Leia Também: O Arquiteto Michelangelo

sexta-feira, 5 de março de 2010

O Arquiteto Michelangelo

Em seus últimos anos, Michelangelo dedicou-se à arquitetura, supervisionando a reconstrução da Basílica de São Pedro, em Roma. Em virtude de seu eterno entusiasmo pelo corpo, não admira que Michelangelo acreditasse que “os membros da arquitetura são derivados dos membros humanos”. Assim como braços e pernas flanqueiam o tronco humano, as unidades arquitetônicas deveriam cercar simetricamente um eixo vertical central.

O melhor exemplo desse estilo inovador é a Colina Capitolina, em Roma, o primeiro centro cívico da Renascença. A colina havia sido o coração simbólico da Roma antiga, e o papa queria restaurá-la em sua primitiva grandiosidade.  As duas edificações existentes então se situavam, uma em relação à outra, num escrúxulo ângulo de oitenta graus. Michelangelo tirou partido dessa disposição acrescentando outra construção no mesmo ângulo, ladeando o edifício central, o  Palácio dos Senadores. Isto feito, redesenhou a fachada dos edifícios laterais de modo a ficarem idênticos e deixou o quarto lado aberto, com vista panorâmica para o Vaticano.

Colina Capitolina, Roma - Michelangelo Colina Capitolina, Roma – Itália  - obra de Michelangelo

Uma estátua do Imperador Marco Aurélio sobre um piso oval dava unidade ao conjunto. Os arquitetos renascentistas julgavam o oval “instável” e o evitavam, mas, para Michelangelo, a medida e a proporção não eram determinadas por fórmulas matemáticas e, sim “guardadas nos olhos”.

Piazza Campidoglio - Roma, Michelangelo

Piazza Campidoglio

 

estátua do Imperador Marco Aurélio

estátua do Imperador Marco Aurélio, no centro da Praça

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Leia Também: A Capela Sistina - A pintura de Michelangelo

quinta-feira, 4 de março de 2010

A Capela Sistina – A pintura de Michelangelo

Uns vinhedos sobre o fundo azul – foi o que o Papa Júlio II pediu para embelezar o teto da Capela Sistina, que mais parecia o de um celeiro. E o artista lhe deu mais de 340 figuras representando a origem e a queda do homem, no empreendimento artístico mais ambicioso da Renascença. O fato de Michelangelo ter realizado tal proeza em menos de quatro anos, sem assistentes, é testemunha de sua singularidade.

Apenas as condições físicas apresentavam um formidável desafio. Com o comprometimento de quase metade de um campo de futebol, o teto apresentava três mil metros quadrados para projeto, esboço, alvenaria e pintura. As infiltrãções umedeciam demais a alvanaria. A curva da abóbada cilíndrica atravessada por abóbadas cruzadas, dificultava ainda mais o trabalho de Michelangelo. Como se não bastasse, ele tinha que trabalhar encolhido numa posição desconfortável, num andaime com altura equivalente a sete andares.

Criação de Adão, Michelangelo, 1508-1512 - capela Sistina Criação de Adão, Michelangelo – Capela Sistina, Vaticano, Roma

Um Deus com aparência de Zeus transmite a chama da vida a Adão.Michelangelo usou o nu masculino para expressar todas as aspirações e emoções humanas.

Apesar de seu desdém pela pintura, que ele considerava uma arte inferior, o afresco de Michelangelo atingiu um ponto máximo, com figuras retiradas  não do mundo real, mas do mundo de sua própria criação. Os nus, jamais pintados em escala tão colossal, são simplesmente apresentados, sem cenário e sem ornamentos. Assim como em sua escultura, os torsos são mais  expressivos que os rostos. As formas nuas, contorcidas, têm uma qualidade de relevo, como se tivessem sido esculpidas em pedra colorida.

O juízo Final, Michelangelo , 1541 - Capela Sistina, Vaticano, Roma “O Juízo Final, Michelangelo, Capela Sistina, Vaticano, Roma (1541)

São Bartolomeu, mártir, queimado vivo. detalhe de o Juízo Final

Detalhe: de “Juízo Final”, Michelangelo, Capela Sistina, Vaticano. São Bartolomeu, mártir queimado vivo, segura sua própria pele com um grotesco auto-retrato de Michelangelo.

Tomando uma parede inteira da Capela Sistina, o afresco “O Juízo Final”, de Michelangelo, foi terminado 29 anos após a pintura do teto. A pintura impressiona pela atmosfera sinistra. Cristo não é representado como um Redentor misericordioso, mas como um Juíz vingativo, alcançando um efeito tão aterrorizante que o Papa Paulo III caiu de joelhos diante do afresco, gritando: “Senhor perdoai os meus pecados!” Aqui também Michelangelo mostrou sua habilidade suprema para apresentar formas  humanas em movimento: quase quatrocentas figuras contorcidas em luta, em resistência, sendo atiradas ao inferno.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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quarta-feira, 3 de março de 2010

Criação de Adão - Michelangelo

Criação de Adão, Michelangelo, 1508-1512 - capela Sistina

No próximo post vamos saber mais sobre Michelangelo e a pintura da Capela Sistina,  Vaticano, Roma.

terça-feira, 2 de março de 2010

Michelangelo escultor

Michelangelo achava que, entre todas as artes, a mais próxima de Deus era a escultura. Deus havia  criado a vida a partir do barro, e o escultor libertava a  beleza da pedra. Segundo ele, sua técnica consistia em “libertar a figura do mármore que a aprisiona”. Enquanto outros escultores adicionavam pedaços de mármore para disfarçar seus erros, Michelangelo fazia suas esculturas num bloco único. “Ainda que rolem do alto de uma montanha, não caíra um só pedaço”, disse outro escultor da época.

O primeiro trabalho a lhe trazer renome, esculpido quando o artista tinha 23 anos, foi “Pietá”, que significa “piedade”. O arranjo piramidal é derivado de Leonardo, com a clássica postura do rosto da Virgem refletindo a expressão calma, idealizada, das estátuas gregas. A precisão anatômica do corpo de Cristo se deve à dissecação de cadáveres efetuada por Michelangelo. Quando a estátua foi descoberta, um apreciador a atribuiu a um escultor mais experiente, recusando-se a acreditar que um jovem desconhecido fosse capaz de realizar tal obra. Além disso, Michelangelo esculpiu seu nome na faixa que atravessava o seio da Virgem. Foi seu único trabalho asinado.

Pietá, de Michelangelo - 1498-1500“ Pietá”

Carol Stickland. Arte Comentada. Da Pré-Historia ao Pós-Moderno

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Michelangelo

Michelangelo (1475-1564) foi criado por uma ama-de-leite  cujo marido era um cortador de pedra. O menino cresceu interessado em escultura, desenho e arte, apesar das surras que levava para força-lo a uma “profissão respeitável”. Mas o príncipe Lourenço, o Magnífico, da família Médici, reconheceu o talento do garoto e, quando Michelangelo tinha 15 anos levou-o para a corte florentina, onde o tratou como a um filho.

Foi Michelangelo quem mais contribuiu para elevar o status da atividade do artista. Acreditando que a criatividade era uma inspiração divina, quebrou todas as normas. Os admiradores se referiam a ele como “o divino Michelangelo”, mas o preço dessa glória foi a solidão. Certa vez Michelangelo perguntou a seu rival, o gregário Rafael, que vivia cercado de cortesãos. “Onde você vai com tanta gente, tão contente quanto um monsenhor?”  E Rafael, desferiu a resposta: “Onde você vai, solitário como um carrasco?”

Michelangelo se recusava a ensinar aprendizes e não deixava ninguém ficar assistindo enquanto trabalhava. Quando reprovavam o fato de não ter se casado e não ter deixado herdeiros, ele respondia: “Sempre tive uma esposa muito exigente na minha arte, e meus filhos são minhas obras”. Era muito emocional, rude e excêntrico. Só se sentia  feliz quando estava trabalhando ou escolhendo um bloco de mármore na pedreira. Seu humor podia ser cruel: Quando lhe perguntaram porque uma coruja, num quadro de outro artista, era tão mais convincente que os outros elementos, ele respondeu que “todo pintor faz um bom auto-retrato”.

Arquiteto, escultor, pintor, poeta e engenheiro, Michelangelo não conhecia limitãções. Certa vez, quis esculpir um colosso numa montanha inteira. Fez esculturas até sua morte, com quase noventa anos. Suas últimas palavras foram: “Lamento estar morrendo justamente quando estou aprendendo o alfabeto da minha profissão.”

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Leonardo da Vinci – Os Cadernos

A prova da fértil imaginação de Leonardo está nas milhares de páginas de seus cadernos, cobertos de esboços e idéias. Seus interesses e conhecimentos abrangiam anatomia, engenharia, astronomia, matemática, história natural, música, escultura, arquitetura e pintura, o que faz dele o gênio mais versátil de todos os tempos. Embora suas anotações não fossem conhecidas pelos cientistas, Leonardo foi um precursor de muitas das maiores descobertas e invenções das culturas subsequentes. Ele construiu canais, instalou aquecimento central, drenou pântanos, estudou as correntes de ar, inventou um método de impressão, um telescópio e bombas portáteis. A partir de seus estudos dos vasos sanguíneos, desenvolveu a teoria da circulação cem anos antes de Harvey. Foi o primeiro a projetar uma máquina voadora e a ilustrar o funcionamento interno do corpo humano. Seus desenhos do desenvolvimento do feto eram tão preciosos que ele estaria apto a ensinar ambriologia aos estudantes de hoje.

No  Ventre, Leonardo da Vinci. c. 1510

“No ventre.” c. 1510, Royal Collection, Castelo de Windsor

Carol Strickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno

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