quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Arte da Mumificação

Os egípcios acreditavam que o ka, ou força vital, era imortal. Com o objetivo de fornecer um receptáculo durável para o espírito,  aperfeiçoaram a ciência do embalsamamento. A preservação do corpo começava com a extração do cérebro do falecido através das narinas, com um gancho de metal. As vísceras - fígados, pulmões, estômago e intestinos - eram removidas e preservadas em urnas separadas. O que  restava ficava imerso em salmoura durante um mês, e depois o cadáver em conserva era literalmente estendido para  secar. O cadáver enrugado, era então recheado - os seios das mulheres eram estofados -, envolto  em várias camadas de ataduras, e finalmente confinado num caixão e num sarcófago de pedra. Na verdade, o clima seco do Egito e a ausência de bactérias nas areias  e no ar provavelmente contribuíam para a preservação do corpo tanto quanto este tratamento químico. Em 1881, quarenta corpos de reis foram descobertos, inclusive  o do Faraó Ramsés II, que tinha a pele ressecada, os dentes e o cabelo ainda intactos. O monarca de três mil anos de idade, em cuja corte Moisés se criou, era chamado "O Grande", e por boas razões: gerou mais de cem filhos durante seus opulentos 67 anos de reinado. No entanto, quando um inspetor da alfândega examinou os restos de Ramsés II, na transferência da múmia para o Cairo, rotulou-o como "peixe seco".

 

Cabeça de Ramsés II, Múmia

Strickland, Carol. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós Moderno

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Egito - A Arte da Imortalidade

Em vista da obsessão da sociedade egípcia com a imortalidade, não é de surpreender que a arte tenha se mantido sem mudanças por 3 mil anos. Sua mais alta preocupação era garantir uma vida após a morte confortável para seus soberanos, que eram considerados deuses. A colossal arquitetura e as obras-de-arte existiam  para cercar o espírito do faraó de glória eterna.

Nessa busca de permanência, os egípcios definiram o essencial para uma grande civilização: literatura, ciências médicas e alta matemática. Não apenas desenvolveram uma cultura impressionante - apesar de estática - mas, enquanto outras civilizações nasciam e morriam com a regularidade das cheias do rio Nilo, o Egito sustentou o primeiro estado unificado de grande porte durante três milênios. Muito do que se conhece sobre o Egito antigo provém das tumbas que restaram. Como os egípcios acreditavam que o ka, o espírito, do faraó era imortal, depositavam em sua tumba todos os bens terrenos para que ele os usasse na eternidade. As pinturas e os hieróglifos nas paredes eram uma forma de inventariar a vida e as atividades diárias do falecido nos mínimos detalhes. Estátuas do faraó ofereciam uma morada alternativa para o ka, caso o corpo mumificado se deteriorasse e não pudesse mais hospeda-lo.

 

"Príncipe Rahotep e sua esposa Nofret" - Museu Egípcio, Cairo

A pintura e a escultura obedeciam a padrões rígidos de representação da figura humana. A forma humana é representada em visão frontal do olho e dos ombros.

Olhos da princesa Nofret. Assim como seu marido,  o príncipe Rahotep, os olhos  são representados em visão frontal.

Busto de Nofret

Sobre o formoso busto de Nofret, onde transparecem os seios rígidos sob a veste está pintado um largo colar do tipo usekh, que reproduz uma jóia muito difundida no antigo Egito.  Trata-se de uma jóia formada por muitas voltas de pérolas com diferentes formas, materiais e cores, que na imagem são representados por linhas multicoloridas simples que terminam com uma fila de pingentes em formato de gota.

 

Hieróglifos

hieróglifos

Um grande destaque é dado aos hieróglifos pintados de preto no fundo branco dos espaldares. O texto reproduzido com perfeita igualdade nos dois lados da cabeça de Nofret traz o nome da morta, precedido do título rekhet nesu, "aquela que conhece o rei", expressão que coloca em evidência a sua privilegiada proximidade da esfera real

Material:  Calcário pintado. 

Espaldar: As costas da cadeira, parte superior do dossel.

Strickland, Carol. A Arte Comentada, da Pré-História ao Pós Moderno. Coleções Folha. Grandes Museus do Mundo.  Texto:  Silvia Einaudi

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Egito

O que é Egiptologia?

Ramo especial da arqueologia, a egiptologia tenta reconstruir a civilização egípcia a partir de um imenso celeiro de antiguidades que sobreviveram.

Essa ciência teve início em 1799, quando Napoleão invadiu o Egito. Além de 38 mil soldados, o imperador levou 175 estudiosos, lingüistas, antiquários e artistas. Esses arqueólogos pioneiros carregaram para a França um enorme tesouro em obras-de-arte, dentre elas a Pedra Roseta, uma laje de basalto com a mesma inscrição em três línguas, incluindo o grego e os hieroglifos.

Pedra Roseta 

Durante 15 séculos, pesquisadores haviam estudado os hieróglifos sem nada compreenderem, mas, ao fim de 22 anos, o lingüista francês Jean-François Champollion decifrou o código. Essa descoberta despertou grande interesse pelo Egito antigo. Os primeiros egiptólogos saqueavam túmulos e templos, fornecendo objetos para as coleções européias. Papiros, tecidos e artigos de madeira, que haviam sobrevivido intactos por milhares de anos, eram destruídos da noite para o dia. Felizmente, extensas escavações e pesquisas científicas vieram substituir esses métodos primitivos.

Os túmulos, verdadeiras cápsulas de informação sobre a vida cotidiana de seus ocupantes, forneceram conhecimentos detalhados dessa civilização desaparecida.

 

Basalto: Rocha escura, de origem ígnea e de grande dureza.

Ígneo: Concernente ao fogo, que tem a cor ou a natureza do fogo, produzido pela ação do fogo

Strickland, Carol. A Arte Comentada, da Pré-História ao Pós Moderno.

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Escultura em Baixo-Relevo

Além da arquitetura, a forma de arte predominante da Mesopotâmia era o baixo-relevo. Combinados com a escrita cuneiforme, em forma de cunha, os entalhes descrevem escrupulosamente, cena após cena, os feitos militares.

Escrita Cuneiforme

Outro tema predileto nos baixos-relevos era a coragem pessoal do rei durante as expedições de caça. Numa caçada típica, os criados incitavam os leões à fúria e depois os soltavam da jaula, para que o rei os matasse.

 

Atingido por uma das setas do rei, o sangue jorra da boca do leão. Veias destacam-se no seu rosto. Do ponto de vista moderno, é estranho pensar que o artista simpatizou com a morte do animal. No entanto, os leões simbolizavam tudo o que era hostil à civilização urbana.  As orelhas baixas e os músculos contraídos da figura transmitem a agonia da morte com um realismo convincente.

fonte: Strickland, Carol. A Arte Comentada, da Pré-História ao Pós Moderno.

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domingo, 29 de novembro de 2009

A Eterna Pirâmide

A forma da pirâmide é recorrente em diversas culturas através da história, sendo que muitas acreditavam que a própria forma tinha poderes mágicos. Monumentos como os zigurates da Mesopotâmia ou as pirâmides de lado plano do Egito dominavam a paisagem, criando um efeito tão impressionante quanto o trabalho exigido para construí-las.

                     Zigurate 

 

As pirâmides maias, na península de Iucatã, no México, e a pirâmide de vidro, de I. M. Pei, na entrada do Museu do Louvre, em Paris, são apenas dois exemplos da forma piramidal em diferentes épocas e culturas. Será mera coincidência as  pirâmides da Mesopotâmia,  berço da arquitetura, servirem como forma simbólica para os arquitetos do século XX?

 

Pirâmides de Gizé - Egito

 

Pirâmide de Vidro, de na entrada do Museu do Louvre, Paris, França

Strickland, Carol. Arte Comentada, da Pré-História ao Pós-Moderno.

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