quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Arquitetura para os Deuses

A cultura grega influenciou a arte e a  arquitetura de todos os períodos subseqüentes da civilização ocidental, porém mais especialmente a Renascença (quando foram redescobertas muitas obras). Nos séculos XVIII e XIX, a moda do classicismo grego se difundiu tanto que todo museu, toda academia de arte, toda universidade exibia orgulhosamente reproduções de estátuas gregas. Edifícios públicos,  como tribunais e bancos, se tornaram pseudo templos gregos.

Os arquitetos consideram o mármore branco do Partenon a expressão última da grandiosidade de Atenas. Mesmo em ruínas, domina a Acrópole. A perfeição do Partenon deve-se a desvios quase imperceptíveis das linhas retas. As colunas se inclinam ligeiramente para dentro, enquanto o entablamento e a projeção da plataforma são levemente arqueados. Esses "refinamentos", como eram chamados, curvavam a linha reta para dar a ilusão de um impulso para cima e de um suporte sólido para a massa central. Construído sem argamassa, o Partenon permaneceu relativamente intacto até 1687, quando um projétil destruiu sua parte central. Em 1801, Lord Elgin carregou a maior parte das esculturas para o British Museum, onde o poeta John Keats passava horas olhando os mármores.

Partenon

Strockland, Carol. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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Leia Também:  Grécia: O Zênite da Civilização Ocidental

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Esculturas: A Beleza do Corpo

 
Os gregos introduziram o nu na arte. As proporções ideais das estátuas representavam a perfeição do corpo (aparentes no desempenho atlético) e da mente (aparentes no debate intelectual). Os gregos buscavam uma síntese dos dois pólos do comportamento humano - paixão e razão - e, por meio da representação artística da forma humana frequentemente em movimento.
As estátuas gregas não eram o mármore branco que atualmente associamos à escultura clássica. O mármore era embelezado com pintura encáustica, uma mistura de pigmento em pó e cera aplicada aos cabelos, lábios, olhos e unhas das figuras. Enquanto o nu masculino sempre foi aceitável na escultura, as estátuas femininas evoluíram de totalmente vestidas para o nu sensual. Nas estátuas anteriores, as dobras e os drapeados uniam a figura num movimento ondulante. Outra inovação foi o princípio do apoio do peso, ou contrapposto, em que o peso do corpo se apóia numa das pernas e o corpo segue esse alinhamento, dando a ilusão de uma figura surpreendida no movimento.
 
 
Vitória de Samotrácia  cerca de 190 a. C. Louvre, Paris.
Projetada para frente, como se o seu avanço dependesse mais das asas do que da simples passada a Vitória (Niké) recebe de frente o vento marítimo; o leve quíton adere ao peito como uma veste. O manto que lhe cai pelas costas enrola-se nas pernas, enquanto por trás se desdobram as pontas esvoaçantes.

Juventude Eterna: Influência do Ideal Grego
Assim como a "Vitória Alada" reflete a filosofia humanista grega, as proporções ideais das estátuas clássicas influenciaram o estilo heróico do "Davi" de Michelangelo.
 
"Davi", Michelangelo 1501-4. Galleria dell' Accademia, Florença
STRICKLAND, Carol. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós Moderno. Coleção Folha. Grandes Museus do Mundo. texto de Elena Ginanneshi

Pintura Grega

Os gregos tinham amplo conhecimento de pintura. Segundo fontes literárias, os artistas gregos atingiram o ápice em efeitos realistas de trompe l'oeil. Suas pinturas eram tão vívidas que os pássaros bicavam as frutas pintadas nos murais. Infelizmente, essas obras não chegaram até nós, mas podemos conhecer os detalhes realísticos da pintura grega pelas figuras que adornam os objetos domésticos de cerâmica.

Pintura em cerâmica

A pintura em vasos contava histórias de deuses e heróis da mitologia grega ou narrava eventos contemporâneos, como as guerras e as festas. O mais antigo (c. 800 a. C) era chamado estilo geométrico porque as figuras e os ornamentos tinham formas basicamente geométricas. O Período Arcaico tardio foi a época áurea da pintura em cerâmica. No estilo de figura negra, adotado no final desse período, as figuras se destacavam em negro contra fundo avermelhado. O artista riscava os detalhes do desenho com uma agulha, expondo a tonalidade da argila. O estilo de figura vermelha, que teve início por volta de 530 a. C., invertia o esquema de cores. As figuras, delineadas contra o fundo negro, eram compostas pelo vermelho natural da argila com os detalhes pintados em preto.

"Dionísio no Barco", Exekias c. 550 - 521 a.C., Staatliche Antikensammlungen. Munique. Pintada no Período Arcaico, esta cena talvez seja o mais antigo exemplo em que um objeto (o barco) é representado com realismo e não de maneira estilizada.

 

"Jovem Cantando e Tocando Cítara". c.490 a. C., MMA, NY. Esta ânfora (caso com duas alças) é um exemplo do estilo figura vermelha (figura vermelha / fundo negro), em oposição ao estilo anterior, de figura negra (figura negra / fundo vermelho).

STRICKLAND, Carol. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós Moderno

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Grécia - O zênite da Civilização Ocidental

A história - alguns diriam o zênite -  da civilização ocidental começou na Grécia Antiga. Durante a breve Idade do Ouro, de 480 a 430 a. C., uma explosão de criatividade resultou em um nível de excelência sem paralelo nos campos de arte, arquitetura, poesia, drama, filosofia, governo, leis, lógica,  história e matemática. Esse período é também chamado Época de Péricles, em homenagem ao político ateniense que defendeu a democracia e estimulou o livre pensar.

A filosofia grega se resumia nas palavras de Protágoras. "o homem é a medida de todas as coisas. "Esta frase, aliada à ênfase de outros filósofos na investigação racional e no questionamento do estado de coisas, criou uma sociedade de artistas e intelectuais autônomos.

Assim como a dignidade e o valor do homem centralizavam os conceitos gregos, a figura humana era o principal motivo da arte grega. Enquanto a filosofia destacava a harmonia, a ordem e a clareza de pensamento, a arte e a arquitetura refletiam um respeito semelhante pelo equilíbrio.

 

Partenon, considerado um dos edifícios mais belos do mundo de todos os tempos

STRICKLAND, Carol. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós Moderno

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Leia Também:  O Nascimento da Arte

domingo, 6 de dezembro de 2009

Colete de Tutankhamon

Uma das obras de ourivesaria mais elaboradas e suntuosas do enxoval de Tutankhamon é certamente o colete, que faz parte do traje de gala do jovem soberano. A jóia, prerrogativa de faraós e divindades, é formada por duas partes, unidas entre si com fechos que deveriam cobrir respectivamente o peito e as costas de Tutankhamon.

Colete Faraó

Sobre uma densa malha de pequenos motivos em formato de gotas, bordada em cima e embaixo com um friso geométrico em ouro e massas vítreas, estão colocadas as alças dianteiras e traseiras do colete. Elas são compostas por uma fila dupla de anéis de ouro com marchetarias centrais em cloisinné e estão ligadas, tanto na frente quanto atrás, a um colar duplo formado por elementos em massa vítrea que imitam várias camadas de pequenas pérolas tubulares e em formato de gota. Da borda inferior do colar, que provavelmente enfeitava o peito do faraó, pende um quadrado trabalhado com incrustações trait d'union com o friso na parte inferior. A cena mostra o deus Amon-Rá, que coloca em Tutankhamon o símbolo do jubileu real e o sinal da vida. O faraó, que  traz sobre si um disco solar com serpentes, é seguido por outras divindades: Atum e Iusaas. O colar dorsal do colete apresenta uma variante: as faixas que o compõem são espaçadas por um quadrado de ouro que contém a imagem de um escaravelho com asas e cauda de falcão, ladeado por duas serpentes com coroas do Baixo e do Alto Egito. Desse motivo decorativo pende uma série de correntinhas com pequenas pérolas, no fundo das quais estão colocadas pequenas flores de papoula, de lótus e umbelas de papiro.

Coleção Folha. Grandes Museus do Mundo. Museu Egípcio do Cairo. texto de Silvia Einaudi

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