sexta-feira, 5 de março de 2010

O Arquiteto Michelangelo

Em seus últimos anos, Michelangelo dedicou-se à arquitetura, supervisionando a reconstrução da Basílica de São Pedro, em Roma. Em virtude de seu eterno entusiasmo pelo corpo, não admira que Michelangelo acreditasse que “os membros da arquitetura são derivados dos membros humanos”. Assim como braços e pernas flanqueiam o tronco humano, as unidades arquitetônicas deveriam cercar simetricamente um eixo vertical central.

O melhor exemplo desse estilo inovador é a Colina Capitolina, em Roma, o primeiro centro cívico da Renascença. A colina havia sido o coração simbólico da Roma antiga, e o papa queria restaurá-la em sua primitiva grandiosidade.  As duas edificações existentes então se situavam, uma em relação à outra, num escrúxulo ângulo de oitenta graus. Michelangelo tirou partido dessa disposição acrescentando outra construção no mesmo ângulo, ladeando o edifício central, o  Palácio dos Senadores. Isto feito, redesenhou a fachada dos edifícios laterais de modo a ficarem idênticos e deixou o quarto lado aberto, com vista panorâmica para o Vaticano.

Colina Capitolina, Roma - Michelangelo Colina Capitolina, Roma – Itália  - obra de Michelangelo

Uma estátua do Imperador Marco Aurélio sobre um piso oval dava unidade ao conjunto. Os arquitetos renascentistas julgavam o oval “instável” e o evitavam, mas, para Michelangelo, a medida e a proporção não eram determinadas por fórmulas matemáticas e, sim “guardadas nos olhos”.

Piazza Campidoglio - Roma, Michelangelo

Piazza Campidoglio

 

estátua do Imperador Marco Aurélio

estátua do Imperador Marco Aurélio, no centro da Praça

Carol Strickland, Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno

Technorati Marcas: ,

Assine nosso feed. É Grátis.

Leia Também: A Capela Sistina - A pintura de Michelangelo

quinta-feira, 4 de março de 2010

A Capela Sistina – A pintura de Michelangelo

Uns vinhedos sobre o fundo azul – foi o que o Papa Júlio II pediu para embelezar o teto da Capela Sistina, que mais parecia o de um celeiro. E o artista lhe deu mais de 340 figuras representando a origem e a queda do homem, no empreendimento artístico mais ambicioso da Renascença. O fato de Michelangelo ter realizado tal proeza em menos de quatro anos, sem assistentes, é testemunha de sua singularidade.

Apenas as condições físicas apresentavam um formidável desafio. Com o comprometimento de quase metade de um campo de futebol, o teto apresentava três mil metros quadrados para projeto, esboço, alvenaria e pintura. As infiltrãções umedeciam demais a alvanaria. A curva da abóbada cilíndrica atravessada por abóbadas cruzadas, dificultava ainda mais o trabalho de Michelangelo. Como se não bastasse, ele tinha que trabalhar encolhido numa posição desconfortável, num andaime com altura equivalente a sete andares.

Criação de Adão, Michelangelo, 1508-1512 - capela Sistina Criação de Adão, Michelangelo – Capela Sistina, Vaticano, Roma

Um Deus com aparência de Zeus transmite a chama da vida a Adão.Michelangelo usou o nu masculino para expressar todas as aspirações e emoções humanas.

Apesar de seu desdém pela pintura, que ele considerava uma arte inferior, o afresco de Michelangelo atingiu um ponto máximo, com figuras retiradas  não do mundo real, mas do mundo de sua própria criação. Os nus, jamais pintados em escala tão colossal, são simplesmente apresentados, sem cenário e sem ornamentos. Assim como em sua escultura, os torsos são mais  expressivos que os rostos. As formas nuas, contorcidas, têm uma qualidade de relevo, como se tivessem sido esculpidas em pedra colorida.

O juízo Final, Michelangelo , 1541 - Capela Sistina, Vaticano, Roma “O Juízo Final, Michelangelo, Capela Sistina, Vaticano, Roma (1541)

São Bartolomeu, mártir, queimado vivo. detalhe de o Juízo Final

Detalhe: de “Juízo Final”, Michelangelo, Capela Sistina, Vaticano. São Bartolomeu, mártir queimado vivo, segura sua própria pele com um grotesco auto-retrato de Michelangelo.

Tomando uma parede inteira da Capela Sistina, o afresco “O Juízo Final”, de Michelangelo, foi terminado 29 anos após a pintura do teto. A pintura impressiona pela atmosfera sinistra. Cristo não é representado como um Redentor misericordioso, mas como um Juíz vingativo, alcançando um efeito tão aterrorizante que o Papa Paulo III caiu de joelhos diante do afresco, gritando: “Senhor perdoai os meus pecados!” Aqui também Michelangelo mostrou sua habilidade suprema para apresentar formas  humanas em movimento: quase quatrocentas figuras contorcidas em luta, em resistência, sendo atiradas ao inferno.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

Assine nosso feed. É Grátis. Receba por e-mail - Clique Aqui.

Leia Também: Michelangelo escultor

quarta-feira, 3 de março de 2010

Criação de Adão - Michelangelo

Criação de Adão, Michelangelo, 1508-1512 - capela Sistina

No próximo post vamos saber mais sobre Michelangelo e a pintura da Capela Sistina,  Vaticano, Roma.

terça-feira, 2 de março de 2010

Michelangelo escultor

Michelangelo achava que, entre todas as artes, a mais próxima de Deus era a escultura. Deus havia  criado a vida a partir do barro, e o escultor libertava a  beleza da pedra. Segundo ele, sua técnica consistia em “libertar a figura do mármore que a aprisiona”. Enquanto outros escultores adicionavam pedaços de mármore para disfarçar seus erros, Michelangelo fazia suas esculturas num bloco único. “Ainda que rolem do alto de uma montanha, não caíra um só pedaço”, disse outro escultor da época.

O primeiro trabalho a lhe trazer renome, esculpido quando o artista tinha 23 anos, foi “Pietá”, que significa “piedade”. O arranjo piramidal é derivado de Leonardo, com a clássica postura do rosto da Virgem refletindo a expressão calma, idealizada, das estátuas gregas. A precisão anatômica do corpo de Cristo se deve à dissecação de cadáveres efetuada por Michelangelo. Quando a estátua foi descoberta, um apreciador a atribuiu a um escultor mais experiente, recusando-se a acreditar que um jovem desconhecido fosse capaz de realizar tal obra. Além disso, Michelangelo esculpiu seu nome na faixa que atravessava o seio da Virgem. Foi seu único trabalho asinado.

Pietá, de Michelangelo - 1498-1500“ Pietá”

Carol Stickland. Arte Comentada. Da Pré-Historia ao Pós-Moderno

Technorati Marcas: ,,

Assine nosso feed. É Grátis.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Michelangelo

Michelangelo (1475-1564) foi criado por uma ama-de-leite  cujo marido era um cortador de pedra. O menino cresceu interessado em escultura, desenho e arte, apesar das surras que levava para força-lo a uma “profissão respeitável”. Mas o príncipe Lourenço, o Magnífico, da família Médici, reconheceu o talento do garoto e, quando Michelangelo tinha 15 anos levou-o para a corte florentina, onde o tratou como a um filho.

Foi Michelangelo quem mais contribuiu para elevar o status da atividade do artista. Acreditando que a criatividade era uma inspiração divina, quebrou todas as normas. Os admiradores se referiam a ele como “o divino Michelangelo”, mas o preço dessa glória foi a solidão. Certa vez Michelangelo perguntou a seu rival, o gregário Rafael, que vivia cercado de cortesãos. “Onde você vai com tanta gente, tão contente quanto um monsenhor?”  E Rafael, desferiu a resposta: “Onde você vai, solitário como um carrasco?”

Michelangelo se recusava a ensinar aprendizes e não deixava ninguém ficar assistindo enquanto trabalhava. Quando reprovavam o fato de não ter se casado e não ter deixado herdeiros, ele respondia: “Sempre tive uma esposa muito exigente na minha arte, e meus filhos são minhas obras”. Era muito emocional, rude e excêntrico. Só se sentia  feliz quando estava trabalhando ou escolhendo um bloco de mármore na pedreira. Seu humor podia ser cruel: Quando lhe perguntaram porque uma coruja, num quadro de outro artista, era tão mais convincente que os outros elementos, ele respondeu que “todo pintor faz um bom auto-retrato”.

Arquiteto, escultor, pintor, poeta e engenheiro, Michelangelo não conhecia limitãções. Certa vez, quis esculpir um colosso numa montanha inteira. Fez esculturas até sua morte, com quase noventa anos. Suas últimas palavras foram: “Lamento estar morrendo justamente quando estou aprendendo o alfabeto da minha profissão.”

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

Assine  nosso feed. É Grátis.

Leia Também: Heróis da Alta Renascença - Leonardo da Vinci