sábado, 13 de março de 2010

Jan Van Eyck

Inventor da pintura a óleo, o flamengo Hubert van Eyck era tão idolatrado por esta descoberta que seu braço direito foi  preservado como relíquia sagrada. Seu irmão, Jan van Eyck (c. 1390-1441), mais conhecido atualmente, usou o novo meio para alcançar os píncaros do realismo.

Com formação de miniaturista  e iluminador de manuscritos, Jan van Eyck pintou detalhes microscópicos em cores vivas. Um dos primeiros mestres da nova arte de pintar retratos, van Eyck chegava a pintar detalhes ínfimos como pontinhos de barba no queixo da figura. Seu “Homem de Turbante Vermelho”, que talvez seja um auto-retrato (1433), foi a primeira pintura a mostrar o modelo olhando para o espectador. Num dos mais célebres quadros da Renascença do norte, “As Bodas de Arnolfini”, van Eyck captou com exatidão a aparência e a textura das superfícies e produziu efeitos de luz direta e difusa ao mesmo tempo.

O Casal Arnolfini, de Jan Van Eyck, 1434. NG Londres. “As Bodas de Arnolfini”, Jan van Eyck

Mestre do realismo, van Eyck recriou a cena do casamento em miniatura refletida no espelho. Praticamente todos os objetos simbolizam aspectos do tema do quadro – a santidade do casamento. O cão representa a fidelidade, e os tamancos largados, deixando os pés descalços, representam o solo sagrado

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno

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sexta-feira, 12 de março de 2010

A Renascença do Norte

Nos Países Baixos, assim como em Florença, o desenvolvimento da arte começou por volta de 1420. Mas o que se chamou Renascença do Norte não foi um renascimento no sentido italiano. Nos Países Baixos – a Bélgica atual (então chamada Flandres) e a Holanda – os artistas não tinham ruínas romanas para redescobrir. Assim sua ruptura com o estilo gótico produziu um brilhante florescimento das artes.

Enquanto os italianos buscavam inspiração na antiguidade clássica, os europeus do norte se inspiravam na natureza. Na ausência da escultura clássica para ensinar as proporções ideais, pintavam a realidade exatamente como lhes parecia, num estilo realista detalhado. Os retratos guardavam uma semelhança tão exata que Carlos VI, da França, enviou um pintor a três cortes diferentes para pintar possíveis consortes (cônjuges, esposas), baseando sua escolha somente nos retratos.

Essa precisão foi viabilizada pelo novo veículo, a tinta a óleo, preferida pelos pintores renascentistas do norte. Como o óleo demorava mais que a têmpera para secar, dava tempo para os pintores misturarem as cores. Sutis variações de luz e sombra aumentavam a ilusão tridimensional. Usavam também a “perspectiva climática” – uma aparência mais esmaecida de objetos mais afastados – para sugerir profundidade.

Na expansão da Itália para o norte da Europa, a Renascença tomou diferentes formas.

Renascença Italiana

X

Renascença do Norte

CARACTERÍSTICA:

Beleza ideal

Realismo Intenso

ESTILO:

Formas simplificadas, proporções exatas

Traços realistas, honestidade sem bajulação

TEMAS:

Cenas religiosas e mitológicas

Cenas religiosas e domésticas

FIGURAS:

Nus masculinos heróicos

Cidadãos prósperos, camponeses

RETRATOS:

Formais, reservados

Revelam  a personalidade

TÉCNICA:

Afresco, têmpera, óleo

Óleo sobre madeira

ÊNFASE:

Estrutura anatômica subjacente

Aparência Visível

BASE DA ARTE:

Teoria

Observação

COMPOSIÇÃO:

Estática, equilibrada

Complexa, irregular

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós Moderno.

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quinta-feira, 11 de março de 2010

A Arquitetura na Renascença Italiana

Formada nos mesmos princípios da geometria harmoniosa em que a pintura e a escultura, a arquitetura recuperou o esplendor da Roma Antiga.  Os arquitetos renascentistas mais notáveis foram Alberti, Brunelleschi, Bramante e Palladio.

Escritor, pintor, escultor e arquiteto, Alberti (1404-72) foi o maior teórico da Renascença e deixou tratados de pintura, escultura e arquitetura. Ele menosprezava o objetivo religioso da arte e propunha que os artistas buscassem no estudo das ciências, como a história, a poesia e a matemática, os fundamentos de seu trabalho. Alberti  escreveu o primeiro manual sistematizado de perspectiva, oferecendo aos escultores as normas das proporções humanas ideais.

Outro renascentista de múltiplos talentos foi Brunelleschi (1377-1446). Excelente ourives, matemático, relojoeiro e arquiteto, ele é mais conhecido, porém, como o pai da engenharia moderna. Brunelleschi não só descobriu a perspectiva matemática como lançou o projeto da igreja em plano central, que veio a substituir a basílica medieval. Somente ele foi capaz de construir o domo da Catedral de Florença, chamada então a oitava maravilha do mundo. Sua técnica consistiu em construir duas células, uma apoiando a outra, encimadas por uma clarabóia estabilizando o conjunto. No projeto da Capela Pazzi, Brunelleschi utilizou motivos clássicos na fachada, ilustrando a retomada das formas romanas e a ênfase renascentista na simetria e na regularidade.

Filippo Brunelleschi - Capela Pazzi - Florença - Itália - 1429-1461 Capela Pazzi

 

Em 1502, Bramante (1444-1514) construiu o Tempietto (Pequeno Templo) em Roma, no local  onde São Pedro foi crucificado. Embora pequeno, é o protótipo perfeito da igreja com plano central encimada por domo, expressando os ideais renascentistas de ordem, simplicidade e proporções harmoniosas.

Tempietto, Bramante. 1444-1514. Roma Tempietto (Pequeno Templo), Bramante. 1444-1514. Roma

Famoso por suas vilas e seus palácios, Palladio (1508-80) teve enorme influência sobre os séculos posteriores através do seu tratado. Quatro Livros de Arquitetura. Pioneiros do neoclássico, como Thomas Jefferson e Christopher Wren, se basearam no manual de Palladio. A Villa Rotonda incorporou detalhes gregos e romanos, como pórticos, colunas jônicas, domo plano, como o do Panteon, e aposentos dispostos simetricamente em torno de uma rotunda central.

 

Villa Rotonda, Palladio, início em 1550. Vicenza. Villa Rotonda, Palladio, início em 1550. Vicenza

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Os Quatro Rs da Arquitetura da Renascença

Os quatro Rs da arquitetura renascentista são:

Roma, Regras, Razão e aRitmética (do inglês Rithmetic)

Roma

Em conformidade com sua paixão pelos clássicos, os arquitetos renascentistas mediam sistematicamente as ruínas romanas para copiar o estilo e a proporção. Retomaram elementos como arco pleno, construção em concreto, domo redondo, pórtico, abóbada cilíndrica e colunas.

Regras

Dado que os arquitetos se consideravam mais estudiosos do que construtores, baseavam seus trabalhos nas teorias apresentadas nos diversos tratados. As regras estéticas formuladas por Alberti tinham ampla aceitação.

Razão

As teorias enfatizavam a base racional contida nas ciências, na matemática e na engenharia. A razão pura substituía a mentalidade mística da Idade Média.

aRitmética

Os arquitetos dependiam da aritmética para produzir a beleza e a harmonia. Um sistema de proporções ideais assentava as partes de um edifício em relações numéricas, como a razão de 2/1 para uma nave com altura igual ao dobro da largura da igreja. As plantas dos prédios se baseavam em formas geométricas, principalmente no círculo e no quadrado.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno

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terça-feira, 9 de março de 2010

Ticiano – Pai da Pintura Moderna

Assim como seus contemporâneos venezianos, Ticiano (1490?-1576), que dominou o mundo da arte durante sessenta anos, usava as cores fortes como principal meio expressivo. Primeiro pintava a tela de vermelho, para dar calor ao quadro, depois pintava o fundo e as figuras em matizes vívidos e acentuava as tonalidades usando de trinta a quarenta camadas vidradas. Esse trabalhoso método possibilitava uma pintura convincente de qualquer textura, do metal polido ao brilho da seda, de cabelos louro-dourados à pele cálida. Um dos primeiros artistas a abandonar os painéis de madeira, Ticiano adotou o óleo sobre tela  como seu veículo característico.

 

Bacanal dos Adrianos Ticiano. 1518 - Museu do Prado Madrid - EspanhaBacanal dos Adrianos”, Ticiano,

Esta festa pagã contém os principais ingredientes do estilo inicial de Ticiano: cores fortes e contrastantes amplas formas femininas e composição assimétrica.

Depois que  sua esposa morreu, em 1530, a pintura de Ticiano emudeceu um pouco, tornando-se quase monocromática. Extremamente prolífico até os oitenta anos, à medida que sua vista enfraquecia, suas pinceladas amoleciam. No fim de sua vida, eram pinceladas largas, carregadas de tinta, largadas na tela. Um discípulo afirmou que Ticiano “pintava mais com os dedos do que com os pincéis”.

Prolífico: adj. Prolífero, Que faz prole,  fecundo, fértil, que tem prole numerosa

Carol Stickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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