quarta-feira, 31 de março de 2010

Marie de Médici

O projeto mais ambicioso de Rubens foi a sequência de quadros retratando a vida de Marie de Médici, da França, uma rainha tola e cheia de caprichos, lembrada principalmente por esbanjar grandes somas de dinheiro, pelas brigas incessantes com seu marido (ela reinou temporariamente depois que ele foi assassinado) e por contratar Rubens para decorar duas galerias com pinturas comemorando seus feitos “heróicos”.

“Meu talento é tal”, escreveu Rubens “que nenhuma tarefa, por maior que seja em tamanho… jamais superou a minha coragem.” Coerente com sua bravata, ele concluiu esses 21 óleos de grande porte em apenas três anos, praticamente sem ajuda de assistentes. Ainda mais difícil deve ter sido criar gloriosas cenas épicas, dada a matéria-prima. Também nessa empreitada o tato de Rubens mostrou-se à altura da tarefa. Retratou Marie dando à luz seu filho, como uma solene cena de natividade. Seu painel sobre a educação de Marie apresenta deidades como Minerva e Apolo ensinando-lhe música e eloquência.

Em “Marie Chega a Marselha”, a deusa da Fama anuncia com trombetas douradas o desembarque da rainha na França. Diplomaticamente, Rubens omitiu o queixo duplo de Marie (apesar de, em cenas posteriores, retratar sua majestosa corpulência) e se concentrou em três voluptuosas enviadas de Netuno em primeiro plano. Chegando a pintar deliciosas gotas de água nas amplas nádegas dessas ninfas.

Marie Chega a Marselha, Rubens 1622-25, Louvre, Paris“Marie Chega  a Marselha”, Rubens 1622-1625. Louvre, Paris

Rubens compartilhou a tendência ao excesso típica da época barroca, presente nas cores exuberantes, na riqueza dos trajes, nos detalhes dourados. Aplicava o mesmo vigor à sua vida e ao seu trabalho. Qualquer que fosse o tema, Rubens imprimia à pintura um clima de triunfo e dizia: “O importante não é viver muito, mas viver bem!”

Carol Stickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno

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terça-feira, 30 de março de 2010

Barroco Flamengo

A região sul dos Países Baixos, chamada Flandres na época, e mais tarde Bélgica, permaneceu católica depois da Reforma, o que deu aos artistas grande incentivo para produzir pinturas religiosas. A história da pintura barroca flamenga é na verdade a história de um homem, Sir Peter Paul Rubens (1577-1640).

“Príncipe dos pintores e pintor dos príncipes”, segundo um embaixador inglês, Rubens teve uma vida sofisticada, que o levou às cortes da Europa como pintor e como diplomata. De fato, era um pintor mais europeu que regional, que trabalhou para os governantes de Itália, França, Espanha e Inglaterra, além de Flandres. Consequentemente, seu estilo sintetiza os estilos e os conceitos do sul e do norte.

Um raro gênio criativo que reunia tanto o sucesso mundano quanto a felicidade pessoal, Rubens tinha uma formação clássica e era sociável, bonito, vigoroso e viajado. Falava fluentemente seis idiomas e tinha uma energia inextinguível. Alguém que visitou seu estúdio relata que viu o mestre pintando enquanto ouvia uma leitura de Ovídio em latim, mantinha uma conversação culta e ditava uma carta – tudo ao mesmo tempo. Um mecenas disse que “Rubens tem tantos talentos que seu conhecimento de pintura pode ser considerado o menor deles”.

A energia é o segredo da vida e da obra de Rubens. Sua produção de mais de dois mil quadros é comparável apenas à de Picasso. Vivia sobrecarregado de encomendas, que o tornaram rico e renomado. Acordava às quatro da madrugada e trabalhava sem parar até a noite. Ainda assim, precisava de uma equipe de assistentes para atender à demanda. Seu estúdio foi comparado a uma fábrica onde Rubens fazia pequenos esboços em cores, em óleo, ou delineava uma obra em tamanho definitivo, que seus assistentes pintavam (foi assim que van Dyck começou) e ele dava os toques finais.

Seu estúdio em Antuérpia (hoje aberto a visitação pública) ainda mantém o balcão sobre a área de trabalho de onde os visitantes podiam assistir à pintura de suas grandes obras. Alguém relatou uma cena de Rubens de braços cruzados, olhando fixamente para um painel em banco, e depois explodindo numa torrente de pinceladas que cobriram o painel inteiro.

Descida da Cruz, Rubens, c. 1612. Catedral da Antuérpia. “A Descida da Cruz”, Peter Paul Rubens

Esse quadro, pleno de curvas barrocas e iluminação dramática, consagrou a reputação de Rubens

Carol Strickland, Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno

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segunda-feira, 29 de março de 2010

Arquitetura Dinâmica: Borromini

O que Caravaggio fez com a pintura, Francesco Borromini (1599-1667) fez com a arquitetura. Assim como os temas iluminados pelo pintor parecem saltar da tela para o espectador, as paredes ondulantes de Borromini criam a impressão de receber luz estroboscópica. A originalidade desses dois artistas revolucionou seus respectivos campos.

Borromini era um gênio rebelde, emocionalmente perturbado, que acabou se suicidando. Filho der um pedreiro, trabalhou primeiro como cortador de pedra para Bernini, e mais tarde se tornou seu arqui-rival. Mas enquanto Bernini chegou a empregar 39 assistentes para executar seus projetos esboçados às pressas, o introspectivo Borromini trabalhava obsessivamente todos os pormenores decorativos de suas obras. Rejeitava numerosas ideias antes de dizer “questo!” (“É isso!”), quando finalmente se decidia.

Mesmo em construções de dimensões modestas, Borromini combinava formas nunca antes articuladas, de uma maneira extraordinária. A estranha justaposição de superfícies côncavas e convexas fazia suas paredes parecerem vivas. De fato, essa qualidade, assim como os complexos desenhos de pisos, foi comparada às múltiplas vozes das figuras para órgão de Bach, ambas destinadas a produzir exaltação.

 

Fachada de San Carlo alle Quattro Fontane, Borromini, 1665-67 Fachada de San Carlo alle Quattro Fontane, Borromini. A marca registrada de Borromini é a superfície alternadamente convexa e côncava para criar a ilusão de movimento.

Apesar da grande elasticidade dos prédios de Borromini, a estrutura é sempre unificada e coesa. As paredes recortadas da Igreja de São Ivo, em Roma, seguem um afilamento contínuo em direção ao topo de um fantástico domo de seis abóbadas, sendo a moldura do domo idêntica à forma das paredes abaixo – uma parte orgânica do todo, em oposição ao domo renascentista, que é separado e colocado sobre um bloco de suporte. A diversidade de curvas e contracurvas típica da obra de Borromini é evidente em San Carlo alle Quattro Fontane, onde as paredes serpenteiam, parecendo estar em movimento.

Igreja de São Ivo, Roma - Borromini Igreja de São Ivo, Roma, Borromini

Carol Strickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno

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domingo, 28 de março de 2010

Basílica de São Pedro

Bernini passou a maior parte de sua vida trabalhando na Basílica de São Pedro. O ponto focal do interior é o altar com pálio (também chamado de Baldaquino ou dossel), obra de Bernini, em bronze, sob o domo central, marcando o local do túmulo de São Pedro. Mais alto que um edifício de dez andares, esse impressionante monumento consta de quatro gigantescas colunas espiraladas (cobertas em entalhes de vinhas, folhas, abelhas) que se lançam para o alto como enormes saca-rolhas. O conjunto que inclui quatro colossais anjos de bronze nos quatro cantos do pálio, é a essência do estilo barroco. Sua mistura de formas e cores aliadas aos materiais produz um efeito teatral de esplendor imaginativo.

Altar com Pálio, Colunas de Bernini, Basílica de São Pedro, Vaticano, RomaAltar com Pálio

Para dar um toque climático no ponto ao fundo da nave, Bernini criou a Cathedra Petri, outra extravagância multimídia para realçar a modesta cadeira de madeira de São Pedro. A suntuosa composição inclui quatro imensas figuras de suporte para o trono – quase sem toca-lo – envolvidas por uma revoada de anjos e vagalhões de nuvens. Banhando-se em raios de luz dourada de um vitral acima, tudo parece se movimentar.

Catedra Petri, Basílica de São Pedro, Vaticano, Roma Cathedra Petri

Do lado de fora da basílica, Bernini projetou a grande praça cercada por duas colunatas semicirculares cobertas, apoiadas em fileiras de quatro colunas  sob a arcada. Ela planejou as arcadas flanqueando o imenso espaço oval como se fossem os braços maternais da Igreja acolhendo os peregrinos na Basílica de São Pedro.

Vista da praça das Basílica de São Pedro, Vaticano, Roma Vista da praça da Basílica de São Pedro, Vaticano, Roma

Carol Strickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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sábado, 27 de março de 2010

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