segunda-feira, 5 de abril de 2010

Rembrandt van Rijn

Provavelmente o pintor mais conhecido no mundo ocidental é Rembrandt van Rijn (1606-1669). Enquanto viveu, Rembrandt teve enorme sucesso como pintor de retratos. Atualmente, sua fama repousa principalmente nos quadros sérios, introspectivos, de seus últimos anos, pinturas em que o sombreado sutil implica uma extraordinária profundidade emocional.

Início da carreira

Nos primeiros vinte anos de sua carreira, os retratos feitos por Rembrandt estavam sempre na moda, e ele vivia assoberbado com o número de encomendas. Apesar de prolífico no trabalho, era uma pessoa difícil de lidar. “Um quadro fica pronto” ele dizia, “quando o pintor acha que está pronto.” Os clientes frequentemente recorriam ao suborno para receberem seu retrato no prazo. Durante esse próspero período, Rembrandt pintava também cenas bíblicas e histórias em estilo barroco, obras extremamente detalhadas, com iluminação dramática e figuras melodramáticas.

Flora, Rembrandt, óleo sobre tela, 1634, 1ª fase da carreira Flora, Rembrandt - 1634

A virada da carreira

O ano de “A Guarda Noturna”, 1642 marcou uma virada na carreira de Rembrandt. Sua amada esposa morreu prematuramente e ele gradualmente  abandonou a arte fácil do retrato com floreados barrocos, substituindo-os por um estilo calmo e profundo. Nessa fase de maturidade, a arte de Rembrandt tornou-se física e mais psicológica. Voltou-se para os temas  bíblicos mas dando-lhes um tratamento mais contido. Uma gama de vermelhos e marrons e figuras solitárias passaram a dominar sua pintura, impregnada com o tema da solidão. Rembrandt expandiu os limites do chiaroscuro, usando gradações de luz e sombra de modo a transmitir clima, caráter e emoção.

A  Guarda Noturna ou Ronda da Noite, Rembrandt, 1642 Guarda Noturna ou Ronda da Noite, Rembrandt, 1642 – óleo sobre tela

Xilogavura

Em termos de gravura, Rembrandt é considerado o mais perfeito de todos os tempos. Manuseava o buril com tamanha técnica e rapidez que seus trabalhos têm a espontaneidade de um esboço. Dizem que uma de suas gravuras mais conhecidas, a paisagem “Ponte dos Seis”, foi feita entre o primeiro e o segundo pratos de um jantar, enquanto a criada fora à vila buscar mostarda.

Carol Strickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós- Moderno. imagem. Coleção Folha, Grandes  Museus do Mundo.

Buril: Instrumento de aço usado por gravadores.

Technorati Marcas: ,,

Assine nosso feed. É Grátis.

domingo, 4 de abril de 2010

Frans Hals – O mestre do momento

A contribuição de Frans Hals (1580-1666) para a arte foi sua habilidade para captar a expressão passageira. Seus quadros podiam retratar músicos, ciganos ou cidadãos respeitáveis, mas todos eram trazidos à vida, geralmente rindo e levantando uma caneca. Sua marca registrada são os retratos de homens e mulheres apanhados num momento de alegre diversão.

O quadro mais famoso de Hals. “O Cavaleiro Sorridente”, retrata um tipo matreiro com um sorriso nos lábios, brilho nos olhos e bigode airosamente  curvado para cima. Hals obteve esse ar de gabolice principalmente com o efeito das pinceladas. Antes dele, os realistas holandeses se orgulhavam de disfarçar as pinceladas para esconder o processo de pintura, aumentando assim o realismo do quadro. A “assinatura” de Hals eram golpes do pincel, fortes, à maneira de esboço.

O Cavaleiro Sorridente, Frans Hals, 1624.“O Cavaleiro Sorridente”, Frans Hals, 1624

Em sua técnica alla prima, que significa “de imediato” em italiano, o artista aplica a tinta diretamente na tela, sem uma camada  de preparação, e termina o quadro com essa única aplicação de tinta. Embora as pinceladas de Hals sejam claramente visíveis de perto, assim como nas telas de Rubens e Velázquez, formam imagens coerentes à distância e captam com perfeição o imediatismo do momento. Ele captou seu “Alegre Beberrão” congelando um momento de vida, os lábios separados como se prestes a falar, a mão no meio de um gesto.

O Alegre Beberrão, Frans Hals, 1627, óleo sobre tela.“O Alegre Beberrão”, Frans Hals, 1627

Hals transformou a rígida convenção do retrato de grupo. Em seu “Banquete dos Oficiais da Companhia de Guarda São Jorge”, o artista não retrata os componentes da milícia como guerreiros, mas como festeiros num alegre banquete. Antes dele, a tradição mandava que os artistas pintassem os membros do grupo como numa foto da classe, dispostos como efígies em fileiras bem demarcadas, Hals sentou-os em poses relaxadas em volta de uma mesa, interagindo naturalmente, com cada expressão facial individualizada.

 

Banquete dos Oficiais da Companhia de Guarda São Jorge, Frans Hals“Banquete dos Oficiais da Companhia de São Jorge”, Frans Hals 

Embora a cena pareça improvisada, a composição tem um equilíbrio de poses e gestos, unidos pelo vermelho, pelo branco e pelo preto. As diagonais barrocas de estandartes, faixas e golas pregueadas reforçam a sensação de orgulho da farra de jovens.

Os retratos sociais, alegres, das décadas de 1620 e 30, revelam o talento de Hals para avivar, e não preservar, o modelo. Infelizmente, seu final de vida foi triste. Embora retratista famoso, o amor ao vinho e à cerveja mostrado em seus quadros transbordou para sua vida pessoal. Com dez filhos e uma segunda mulher brigona sempre com problemas com a polícia, Hals “enchia a cara” toda noite, segundo um amigo seu, e morreu de ostracismo.

Carol Stickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno.

Technorati Marcas: ,

Assine nosso feed. É Grátis.

sábado, 3 de abril de 2010

Natureza-Morta

Surgiu como um gênero de pintura nos Países-Baixos pós-Reforma. Embora considerada uma forma inferior em outros lugares, o século XVII foi o período áureo da natureza-morta na Holanda, onde os artistas atingiram um extraordinário realismo retratando objetos domésticos. A natureza-morta era frequentemente emblemática: as pinturas vanitas mostravam símbolos como crânios e velas fumegantes representando a transitoriedade da vida.

pintura vanita Pieter Claesz, Vanitas, óleo sobre madeira, 1645

Os mestres holandeses que lançaram  a natureza-morta como um gênero separado se interessavam pelo modo como a luz incidia em diferentes superfícies. A “Natureza-morta” de Heda contrapõe o fulgor mortiço do estanho ao brilho forte da prata e do cristal.

Natureza- Morta - Willem Claesz Heda, 1635“Natureza-morta”, Heda, c. 1636, óleo sobre madeira

No século XVIII, o pintor francês Chardin difundiu o gênero no sul, concentrando-se em objetos modestos. Pintores do século XIX como Corot, Coubert e Manet usaram a natureza-morta para estudar as qualidades estéticas dos objetos. Cèzanne, os cubistas e os fovistas empregaram esse gênero para experimentações com estruturas e cores, enquanto o pintor italiano Morandi se concentrou quase exclusivamente em naturezas-mortas. Um estilo de pintura trompe l’oeil fotorrealista surgiu nos Estados Unidos com as naturezas-mortas dos irmãos Peale, seguido pelos “enganos” realistas de Harnett e Peto, e chegando a artistas contemporâneos, como Audrey Flack.

Paisagem

Antes do período barroco, as paisagens eram pouco mais que um fundo para o que acontecia no primeiro plano do quadro. Os holandeses consideraram a paisagem  merecedora de um tratamento artístico próprio. Em  contraste com a França, onde Poussin e Claude se concentraram numa natureza idealizada, os grandes paisagistas holandeses  como Aelbert Cuyp, Jacob van Ruisdael e Meindert Hobbema  trataram a natureza com realismo, geralmente com um fundo de altas nuvens num céu cinzento.

Moinho em Wijk-bij-Duurstede, Ruisdael, c. 1665“Moinho em Wijk-bij-Duurstede”, Ruisdael.

As paisagens de Ruisdael transmitem dramaticidade através do céu tormentoso, das nuvens em movimento e de sol e sombra alternados cortando o horizonte baixo.

O mais versátil pintor de paisagens foi Ruisdael (1629-1682). Embora pintasse detalhes nitidamente definidos, enfatiza grandes espaços abertos de céu, água e campos, usava contrastes dramáticos de luz e sombra e nuvens ameaçadoras para infundir melancolia e sua obra. Essa expansividade e esse humor sombrio o distinguiram das centenas de artistas que trabalhavam  em paisagens na época.

Carol Strickland, Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno. imagem:Coleção Folha, Grandes Museus do Mundo.RIJKSMUSEUM. Amsterdã.

Technorati Marcas: ,

Assine nosso feed. É Grátis.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Barroco Holandês

Embora a Holanda fizesse fronteira com Flandres, os dois países não podiam ser mais diferentes, tanto cultural como politicamente. Enquanto Flandres era regida pela monarquia e pela Igreja Católica, a Holanda – ou Países baixos – era um país independente, democrático e protestante. Nos rígidos e despojados templos protestantes, a arte religiosa era proibida e as fontes normais de mecenato – Igreja, corte e nobreza – tinham se acabado. O resultado foi uma democratização da arte, tanto em relação aos temas quanto aos proprietários.

Pela primeira vez, os artistas foram deixados  à mercê do mercado. Felizmente, a próspera classe média tinha mania de colecionar arte. Em 1640, um visitante de Amsterdã observou: “Quanto à arte da Pintura e à afeição do povo pelos Quadros, acho que nenhuma outra se interpõe entre eles… Todos em geral se empenham em adornar suas casas pagando altos preços.” A demanda de obras era constante. Até açougueiros, padeiros e ferreiros compravam quadros para decorar suas lojas.

Tamanho entusiasmo produziu um surto de pintura de alta qualidade e um grande número de artistas especializados em temas específicos, como naturezas-mortas, marinhas, interiores e animais. No século XVII, havia na Holanda mais de quinhentos pintores trabalhando apenas em naturezas-mortas.

A arte holandesa floresceu entre 1610 e 1670. Seu estilo realista elege como principal tema o lugar-comum. Mas o que fez de seus criadores mais do que apenas bons técnicos foi sua habilidade para captar os jogos de luz em diferentes superfícies e para sugerir texturas – das opacas às luminosas – conforme a luz é absorvida ou refletida. A maioria desses pintores, é chamada de Pequenos Holandeses, para distingui-los dos grandes mestres como Halls, Rembrandt e Vermeer, que foram além da excelência técnica e chegaram à verdadeira originalidade.

Carol Stickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno

Technorati Marcas:

Assine nosso feed. É Grátis.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Anthony van Dyck

O retrato formal informal

Verdadeira criança prodígio, van Dyck (1599-1641) já era um pintor bem sucedido aos 16 anos. Trabalhou com Rubens em Antuérpia durante alguns anos, mas, descontente por estar em segundo plano, seguiu seu próprio caminho, primeiro na Itália e mais tarde na Inglaterra, onde se tornou pintor da corte de Carlos I.

Bonito, frívolo e fabulosamente talentoso, o pintor era chamado de il pittore cavalleresco por sua esnobe futilidade. Convivia com a alta sociedade e se vestia com ostentação, trazendo sempre a espada na cinta, e adotou o girassol como seu símbolo pessoal. Magnífico retratista, van Dyck lançou um estilo nobre e ao mesmo tempo íntimo, psicologicamente penetrante, que influenciou três gerações de pintores.

Van Dyck transformou as congeladas imagens oficiais da realeza em seres humanos. Nessa nova modalidade do retrato, ele colocava os aristocratas em cenários com colunas clássicas e cortinas tremeluzentes para transmitir a ideia de refinamento e status. No entanto, a facilidade de composição de van Dyck e seu senso de movimento contido, como se o personagem estivesse numa pausa, e não numa pose, emprestavam humanidade à cena que, de outra forma, seria empedernida.

Outro motivo de popularidade de van Dyck era sua habilidade para favorecer o modelo: em seus pincéis, todos se tornavam esbeltos padrões de perfeição, apesar do testemunho ocular em contrário. Carlos I era feio e atarracado, mas as mãos de van Dyck fizeram um vistoso rei cavaleiro, de pé num outeiro, como um guerreiro supervisionando o campo de batalha, sob um dossel de folhas de uma frondosa árvore. Um truque usado por van Dyck era pintar a proporção entre cabeça e corpo na razão de um para sete, em vez de um para seis, como se usava. Esse recurso alongava a figura, mostrando-a mais esguia.

 

Carlos I na Caçada, van Dyck, 1635, Louvre, Paris. Carlos I na Caçada, Anthony van Dyck

Carol Strickland, Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno

Assine nosso feed, e receba nossas atualizações por e-mail.