quinta-feira, 15 de abril de 2010

As Meninas ou A Família de Filipe IV

Numa convenção de artistas realizada em 1985, “As Meninas ou a Família de Filipe IV”, de Diego Velázquez, foi eleito o “maior quadro do mundo”, por uma considerável , margem de votos. Picasso homenageou essa obra com uma série de 44 variações sobre o tema. Levando ao pé da letra o ditado de Leonardo da Vinci, “O espelho é nosso mestre”, Velázquez tentou se aproximar o mais possível daquilo que via, chegando às vezes  a trabalhar anos numa tela.

O quadro é manifestamente um retrato da princesa Margarita aos cinco anos de idade, atendida pelas damas de honra e duas anãs, mas reunindo diversos retratos de corpo inteiro de um membro da corte.

As Meninas, Diego Velázquez, 1656 - Madrid“As meninas”, Diego Velázquez, 1656, óleo sobre tela

Os críticos especulam que Velázquez  estava brincando com a idéia da ambiguidade de imagens, ao incluir muitas versões da arte do retrato, até mesmo seu auto-retrato, à esquerda no ato de reproduzir a própria cena no espelho. Tal era sua técnica que todas as imagens parecem igualmente convincentes, tanto as indiretas (reflexos no espelho e quadros dentro do quadro) como as “diretas”.

Auto-retrato, detalhe do quadro As Meninas, Velázques 

detalhe: auto-retrato, Velázquez, em as Meninas

As Meninas” mostra a preocupação de Velásquez com o desenho e a composição. Embora as figuras pareçam agrupadas informalmente, na verdade a composição consiste numa série equilibrada de triângulos superpostos. O pintor usou apenas a metade de baixo da tela para os retratos e encheu o espaço acima com uma gama de luz e sombra para produzir a ilusão de espaço. Verticais e horizontais firmes evitam que o olhar do espectador se perca na sala.

 detalhe, Felipe IV e Mariana da Áustria. detalhe: Filipe IV e Mariana da Áustria

 

detalhe, No vão da escada, que abre um novo espaço, encontra-se José Nieto, primeiro-chefe tapeceiro da rainha. detalhe: José Nieto, primeiro chefe tapeceiro da rainha, vão da porta

Carol Stickalnd. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno. Coleção Folha. Grandes Museus do Mundo. texto de Daniela Tarabra

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Barroco Espanhol

A maior contribuição da Espanha para o mundo da arte foi Diego Velázquez (1599-1660). Extraordinariamente precoce, já na adolescência pintava quadros que demonstravam seu total domínio da técnica. Aos 18 anos, qualificou-se como mestre pintor. Numa visita a Madri, Velázquez fez um retrato com tamanha perfeição que atraiu a atenção do rei. Seu primeiro retrato de Felipe IV agradou tanto ao monarca que ele declarou que dali por diante, somente Velázquez pintaria seus retratos. Aos 24 anos, o artista era o mais prestigiado pintor do país e passaria os trinta anos seguintes pintando para a corte.

Retrato de Felipe IV, Espanha, Diego Velazquez,Retrato de  Felipe IV, rei de Espanha,  Diego Velázques

Assim como os retratos de Holbein, os de Velázquez eram obras-primas de realismo visual, mas os métodos espanhóis eram opostos à precisão linear de Holbein. As linhas não eram visíveis; Velázquez criava formas com pinceladas fluídas e, aplicando focos de luz e cor, foi um precursor do Impressionismo.

Diferia da maioria dos artistas barrocos pela simplicidade e objetividade de sua obra. Nunca esqueceu o conselho de seu mestre: “Busque tudo na natureza.” Consequentemente, jamais sucumbiu ao estilo pretencioso clássico salpicado de alegorias. Pintava o mundo como aparecia aos seus olhos. As primeiras pinturas de Velázquez retratavam até as figuras sagradas ou mitológicas como pessoas comuns, desenhadas contra um fundo neutro.

Quer pintasse o rei, quer pintasse um bobo da corte, Velázquez apresentava o modelo com dignidade e sempre com respeito pela realidade. Sua abordagem humanizou a rígida tradição formal dos retratos da nobreza, colocando os personagens em poses mais naturais, sem acessórios exagerados. Apesar de ser um virtuose na técnica, Velázquez  preferia a moderação à ostentação, o realismo ao idealismo.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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terça-feira, 13 de abril de 2010

Arquitetura Barroca

A principal contribuição da Inglaterra para a arquitetura barroca foi a Catedral de São Paulo, projetada por Sir Christopher Wren (1632-1723). Na verdade, Wren projetou mais de cinquenta igrejas de pedra, proeza exigida pelo Grande Incêndio de Londres, em 1666, que destruiu mais de 13 mil casas e 87 igrejas.

São Paulo é a obra-prima de Wren (o artista foi enterrado na Catedral), projetada para rivalizar com a Basílica  de São Pedro, em Roma. O projeto começou em condições desfavoráveis, pois os operários não conseguiam demolir os resistentes pilares da igreja incendiada. Quando as explosões com pólvora não resolveram o problema, recorreram ao aríete medieval. Depois de um dia inteiro de “golpes incessantes”, o que restava da velha igreja veio abaixo e iniciou-se a construção da nova – trabalho que duraria quarenta anos.

Catedral de São Paulo, fachada oeste, Wren (1675-1712), Londres Catedral de São Paulo, fachada oeste, Christopher Wren, 1675-1712

 

Wren era um prodígio intelectual. Matemático e astrônomo elogiado por Sir Isaac Newton, usou seu conhecimento de engenharia para projetar o domo da igreja, menor apenas que o de São Pedro. Medindo 34 metros de diâmetro e com altura de 111 metros, é maior que um campo de futebol. Somente a clarabóia e a cruz no alto do domo pesam 64 toneladas. Como suportar tamanho peso? A solução inovadora de Wren foi construir o domo de madeira revestida com uma fina camada de chumbo. Desse modo, podia criar uma bela silhueta externa e um teto altíssimo no interior com apenas uma fração do peso. São Paulo é uma das maiores igrejas do mundo. O túmulo de Wren, na grande Catedral, tem a inscrição: “Se quiser ver um monumento, olhe em volta”.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sir Joshua Reynolds

Prova da devoção de Reynolds à Tradição da Grandiosidade é que ele acabou ficando surdo por passar tempo demais nos gélidos aposentos do Vaticano. copiando as obras de Rafael. Também no continente foi ele que pegou uma “febre do fórum” que durou a vida inteira, passando a poluir seus retratos com relíquias romanas e poses nobres. Seu dilema era que, embora pudesse ficar rico como “pintor de caras”, apenas os pintores históricos eram considerados poetas entre os artistas. Ele tentou combinar os dois gêneros, criticando Gainsborough por pintar “com olho de pintor e não de poeta”.

Jane, Condessa de Herrington, Reynolds, 1777 “Jane, Condessa de Herrington”, Reynolds, 1777

Reynolds era imbatível na idealização da realidade. Tanto ele como Gainsborough pintaram retratos de Mrs. Siddons. Gainsborough retratou como uma dama de sua época; já Reynolds retratou-se como Musa Trágica, entronizada entre símbolos da Piedade e do Terror. Ele idolatrava tanto os mestres como Rafael, Michelangelo, Rubens e Rembrandt  que chegou a pintar um auto-retrato vestido como Rembrandt.

Apesar do pedantismo, seus retratos faziam  sucesso. “Desgraçado! Como é variado!”, exclamou Gainsborough sobre esse artista que sabia pintar imponentes heróis militares, nobres damas e crianças brincalhonas com a mesma maestria. Ironicamente, em seu melhor retrato. Reynolds ignorou as próprias regras, Em vez de idealizar o que ele chamava “deficiências e deformidades”, apoiou-se num estilo direto, íntimo, para captar a personalidade do modelo.

Carol Strickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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domingo, 11 de abril de 2010

Thomas Gainsborough

Sempre assoberbado de encomendas Gainsborough escreveu:

“A pintura e a pontualidade combinam tanto como azeite e vinagre”

Gainsborough adorava van Dyck. Com o mestre, ele aprendeu a alongar as figuras de modo a parecerem mais nobres e a pinta-las em poses negligentes, charmosas, para parecerem mais vivas.  Seus retratos, com adoráveis paisagens ao fundo, trouxeram novo frescor à arte inglesa. Gainsborough pintava paisagens para seu prazer pessoal e construía em seu estúdio cenas em miniatura com brócolis, esponjas e musgos para simular a natureza virgem. Como ninguém comprava as paisagens, Gainsborough tinha que se contentar em inseri-las no fundo dos retratos.

Mrs. Richard Brinsley Sheridan, Gainsborough, c. 1785 “Mrs. Richard Brinsley Sheridan”, Gainsborough, c. 1785

Em “Mrs. Richard Brinsley Sheridan”, a modelo está em trajes comuns, sentada numa pedra, num ambiente campestre (o pintor queria pintar alguns carneiros para dar um ar mais “pastoral”).  A beleza natural da paisagem e da modelo se harmonizaram perfeitamente. A árvore emoldurando o quadro à direita se arqueia  para dentro da pintura, prendendo o olhar, enquanto as linhas curvas das nuvens e da árvore no meio do campo, as moitas, as colinas e os contornos trazem o foco de volta ao rosto da modelo. Esse movimento barroco, forçando o olhar a circular, se repete no oval do rosto.

O aspecto folhoso dos quadros de Gainsborough ajudou a estabelecer o conceito, levado a sério por pintores como Constable no século XIX, de que a natureza é um tema digno da arte.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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