domingo, 25 de abril de 2010

Os “Ismos” do Século XIX

Para a civilização ocidental, o século XIX foi uma época de revolução. A Igreja perdeu seu poder, as monarquias balançavam e as novas democracias tinham cada vez mais problemas. Em suma, a tradição perdeu o atrativo; o futuro estava ali, para quem quisesse. Forças desconhecidas como industrialização e urbanização desaprumavam as cidades com massas de pobres insatisfeitos. O ritmo rápido do progresso científico e os males do capitalismo sem freios aumentavam a confusão.

O mundo artístico dos anos 1800 fervilhava de facções, cada uma delas reagindo às outras. Em vez de um estilo predominar por séculos, como aconteceu nas épocas do Renascimento e do Barroco, movimentos e contramovimentos brotavam feito cogumelos. O que tinham sido  as eras transformou-se  em “ismos”, cada um representando uma tendência artística.  Durante a maior parte do século, três estilos principais competiram um com o outro: o Neoclassicismo, o Romantismo, e o Realismo. Perto do final do século, rapidamente surgiram e desapareceram diversas escolas  - o Impressionismo, o Pós-Impressionismo, o Art Nouveau e o Simbolismo.

Carol Strickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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sábado, 24 de abril de 2010

Arquitetura Rococó: Decoração de Interiores

No século XVIII, as fachadas dos prédios continuavam barrocas, mas foram sendo gradualmente substituídas pelo neoclássico. No interior das residências de Paris, porém, assim como nas igrejas e nos palácios da Alemanha, da Áustria, de Praga e de Varsóvia, o rebuscado rococó dominava o cenário.

Casa Milá, Gaudi, 1907, Barcelona, Espanha Casa de Milá, Antonio Gaudi, 1907 - Barcelona

 

Embora o amor rococó pelo artifício fosse estranho ao arquiteto espanhol Antonio Gaudi, seu trabalho incorporou as curvas sinuosas desse estilo. O gênero de Gaudi nasceu do Art Nouveau e se baseou no desejo de alijar a tradição e assumir as formas aleatórias da natureza. Na recusa das linhas retas e na predominância do efeito ondulante – com janelas semelhantes a folhas de nenúfar (flor de lótus) –, o prédio de apartamentos da imagem é herdeiro do rococó.

 

Detalhe, Casa Milá, Antonio Gaudi (1852-1926) Detalhe: Casa de Milá

Nenúfar: planta aquática (tipo Vitória-Régia) que se instala e se reproduz na superfície dos rios e que aos poucos vai fechando o fluxo das águas e tirando o seu oxigênio até matar toda a vida que ali exista

 

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Arte Rococó

  • Clima: Leve, vivaz, superficial, cheio de energia
  • Decoração Interior:  Marchetaria elaborada, painéis pintados, enormes espelhos de parede.
  • Formas: Curvas sinuosas em formas de S e C, arabescos, floreados semelhantes a fitas.
  • Estilo: Leve, gracioso, delicado
  • Cores: Branco, prata, ouro, tons suaves de rosa, azul, verde
  • Palavras Chaves Francesas: la grâce (elegância), le goût (gosto refinado).

O melhor exemplo de um interior rococó é o Salão dos Espelhos, projetado por François de Cuvilliés (1698-1768), que havia sido anteriormente, bobo da corte. Essa “maison de plaisance”, ou casa do prazer, é profusamente decorada, porém com delicadeza. Uma série de espelhos, portas e janelas em arco se destaca entre as linhas curvilíneas de plantas, cornucópias, animais e instrumentos musicais – tudo em prata banhada em ouro, sobre um frio fundo azul. As curvas ascendentes e descendentes dos ornamentos fazem desse aposento um tour de force do estilo rococó.

 

Salão dos Espelhos, François Cuvilliés 1734-39  Rococó Salão dos Espelhos, Cuvilliés – Amalienburg - Alemanha

Carol Strickland, Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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quinta-feira, 22 de abril de 2010

“Fete Galante”

Depois da morte de Luís XXV, em 1715, a aristocracia trocou Versalhes por Paris, onde os salões das enfeitadas casas urbanas sintetizavam o estilo rococó. A nobreza tinha uma vida frívola, dedicada ao prazer, refletida num tipo de pintura bem característica, a “fete galante”, mostrando jovens elegantemente trajados em brincadeiras ao ar livre. Os quadros de Antoine Watteau (1684-1721), François Boucher (1703-70) e Jean-Honoré Fragonard (1732-1806) assinalam essa mudança da seriedade e da grandiosidade para o fútil e superficial na arte e na sociedade francesa.

Peregrinação a Citera, Watteau, 1717 “A Peregrinação a Citera”, Antoine Wateau

Na “Peregrinação a Citera”, de Wateau, casais românticos brincam numa ilha encantada onde reinam a eterna juventude e o amor. Boucher pintou também pastores e pastoras belamente vestidos entre árvores frondosas, nuvens espessas e ovelhas dóceis. O estilo de Boucher era extremamente superficial. Ele se recusava a pintar a vida, dizendo que a natureza era “verdade demais e mal iluminada”. Seus bonitos quadros de nus em poses sedutoras faziam grande sucesso entre a aristocracia decadente.

BoucherLeda e o Cisne, François Boucher, 1741 – óleo sobre tela 

 

Os quadros de Jean-Honoré Fragonard eram igualmente leves e excessivamente ataviados (adornados). Em seu famoso “O Balanço”, num gesto provocante, uma jovem sentada num balanço atira longe a sandália de cetim enquanto um admirador espia suas calçolas de renda.

O Balanço,  Jean-Honoré Fragonard“O Balanço”, Jean-Honoré Fragonard, 1767 – Óleo sobre tela 

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Rococó

O rococó nasceu em Paris, coincidindo com o reinado de Luís XV (1723-74). Por volta de 1760 já era considerado ultrapassado na França, mas continuou em moda em outros países. Até o final do século continuou a ornamentar os luxuosos castelos e igrejas da Alemanha, da Áustria e da Europa Central. O nome rococó é derivado de rocaile, referente a conchas e seixos que ornamenta, grotas e fontes, e surgiu como um estilo de decoração de interiores.

 

A Carta de Amor, 1750, óleo sobre tela, François BoucherA Carta de Amor, François Boucher – 1750 – óleo sobre tela

Em certos aspectos, o estilo rococó se assemelha ao significado da própria palavra. As artes decorativas foram um campo privilegiado para essa ornamentação delicada, curvilínea. Os pisos eram revestidos com elaborados  padrões  em folha de madeira, a mobília era ricamente marchetada, decorada com estofamento em gobelin e incrustações  em marfim e casco de tartaruga. Roupas, talheres e porcelanas também eram sobrecarregados em desenhos de flores, conchas e folhas. Até o desenho das carruagens trocava as linhas retas por floreios e arabescos, e os cavalos eram ajaezados (enfeitados) com plumas imensas e arreios cravejados de pedras preciosas.

A arte rococó  era tão decorativa e não-funcional quanto a aristocracia que a adotou.

Carol Strickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno.

Grota: Abertura na margem de um rio, feita pelas águas das enchentes; vale profundo; depressão  de terreno

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