quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ingres x Delacroix

Em seguida a David, na primeira metade do século XIX, a arte se transformou numa disputa entre dois pintores franceses:

Jean Auguste Dominique Ingres (1780-1867), campeão do Neoclassicismo. Ingres chegou naturalmente ao Neoclassicismo, tendo sido o mais famoso pupilo de David.

Retrato da Princesa de Broglie, Ingres, 1853 “Retrato da Princesa de Broglie”, Ingres, 1853

 

O segundo foi  Eugène Delacroix (1798-1863), defensor ardoroso do Romantismo.

 

Cavalos Árabes lutando numa estrebaria, Eugène Delacroix, 1860 “Cavalos Árabes Lutando Numa Estrebaria”, Delacroix, 1860 – obra tardia do pintor.

Carol Strickland, Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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Leia Também:  David

terça-feira, 27 de abril de 2010

David

David, amigo de Robespierre, foi partidário ardoroso da Revolução e votou a favor  da guilhotina para o rei Luís XVI. Sua arte foi propaganda em prol da república, com a intenção de “eletrificar”, disse ele, e “plantar as sementes da glória e da devoção para com a terra paterna”. O retrato do líder  assassinado, “Morte de Marat”, é sua obra-prima. Marat, amigo íntimo de David, foi um revolucionário radical, que morreu apunhalado por um contra-revolucionário durante o banho. (Antes da Revolução, enquanto se escondia da polícia nos esgotos de Paris, Marat contraíra psoríase e tinha que trabalhar imerso num banho medicinal, usando um caixote como escrivaninha.)

Logo após o assassinato, David correu para o cenário do crime, para registra-lo. Embora o fundo seja friamente vazio, a pintura de David enfatizou o caixote, a toalha manchada de sangue e a faca que, como objetos reais, foram cultuados pelo público como relíquias sacras. David retrata Marat como um santo, numa pose similar à de Cristo na “Pietà” de Michelangelo.

Morte de Marat, David, 1793 “Morte de Marat”, David,  1793

Quando Robespierre foi guilhotinado, levaram David preso. Mas, em vez de perder a cabeça, o flexível pintor tornou-se chefe do programa de arte de Napoleão. Mudou das composições simples do seu período revolucionário para a pompa e a nobreza das pinturas das conquistas do pequeno imperador, tais como “Coroação de Napoleão e Josefina”. Embora suas cores tenham se tornado mais vivas, David se ateve ao que também aconselhava aos alunos: “não permitir que as pinceladas apareçam”. Suas pinturas têm um acabamento limpo, brilhante, liso como verniz. Durante três décadas, a arte de David foi o modelo oficial do que se considerava ser a arte francesa e, por extensão, a arte europeia.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Neoclassicismo Francês

David: Pintando o Passado

Foi numa viagem a Roma, quando pela primeira vez viu a arte clássica, que David teve sua visão reveladora. Disse sentir-se como se “tivesse sido operado de catarata”. Avidamente desenhou mãos, olhos, orelhas e pés de toda escultura antiga que encontrava dizendo: “Quero trabalhar num estilo grego puro.” Em pouco tempo, os discípulos de David jogavam migalhas de pão na “Peregrinação a Citera”, de Watteau, para mostrar seu desprezo  pelo que achavam que era arte “artificial”.

Juramento dos Horácios, David,  1784 “Juramento de Horácios”, David, 1784 – Essa obra marcou a morte da arte Rococó e o renascimento da Neoclássica.

Em “Juramento dos Horácios”, três irmãos juram derrotar os inimigos ou morrer por Roma, ilustrando o novo clima de auto-sacrifício, em vez de auto-indulgência. Da mesma maneira como a Revolução Francesa derrubou os nobres decadentes, essa pintura marcou uma nova era de estoicismo. David demonstrou a diferença entre o velho e o novo através do contraste dos contornos retos e rígidos  dos homens com as formas curvas das mulheres. Até mesmo a composição da pintura reforçava sua firme resolução. David situou cada figura como uma estátua, iluminada por um feixe de luz, contra um fundo simples de arcos romanos. Com o fim de assegurar a precisão histórica, vestiu roupas romanas e fez capacetes romanos para então copiar.

    • Estoicismo: Doutrina que aconselha a indiferença e o desprezo pelos males físicos e morais, resignação na dor e na adversidade.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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Neoclassicismo

Mais ou menos a partir de 1780 até 1820, a arte neoclássica refletiu, nas palavras de Edgar Allan Poe, “a glória que foi a Grécia,/E a grandeza que foi Roma”. Esse reviver do austero Classicismo na pintura, na escultura, na arquitetura e no mobiliário constitui uma clara reação contra o enfeitado rococó. O século XVIII tinha sido a Idade das Luzes, quando os filósofos pregavam o evangelho da razão e da lógica. Essa fé na lógica levou à ordem e às virtudes “enobrecedoras” da arte neoclássica.

A morte de Sócrates, Jacques-Louis David “A Morte de Sócrates” , Jacques-Louis David

O iniciador da tendência foi Jacques-Louis David (1748-1825), pintor e democrata francês que imitava a arte grega e romana para inspirar a nova república  francesa. Como assinalou o escritor alemão Goethe, “agora se quer heroísmo e virtudes cívicas”. A arte “politicamente correta” era séria, ilustrando temas da história antiga ou da mitologia, em vez das frívolas cenas de festa rococó. Como se a sociedade tivesse tomado uma dose excessiva de doce, o princípio substituiu o prazer e a pintura deu apoio à mensagem moral de patriotismo.

Carol Strickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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domingo, 25 de abril de 2010

Os “Ismos” do Século XIX

Para a civilização ocidental, o século XIX foi uma época de revolução. A Igreja perdeu seu poder, as monarquias balançavam e as novas democracias tinham cada vez mais problemas. Em suma, a tradição perdeu o atrativo; o futuro estava ali, para quem quisesse. Forças desconhecidas como industrialização e urbanização desaprumavam as cidades com massas de pobres insatisfeitos. O ritmo rápido do progresso científico e os males do capitalismo sem freios aumentavam a confusão.

O mundo artístico dos anos 1800 fervilhava de facções, cada uma delas reagindo às outras. Em vez de um estilo predominar por séculos, como aconteceu nas épocas do Renascimento e do Barroco, movimentos e contramovimentos brotavam feito cogumelos. O que tinham sido  as eras transformou-se  em “ismos”, cada um representando uma tendência artística.  Durante a maior parte do século, três estilos principais competiram um com o outro: o Neoclassicismo, o Romantismo, e o Realismo. Perto do final do século, rapidamente surgiram e desapareceram diversas escolas  - o Impressionismo, o Pós-Impressionismo, o Art Nouveau e o Simbolismo.

Carol Strickland. Arte Comentada, Da Pré-História ao Pós-Moderno.

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