quarta-feira, 2 de junho de 2010

Gilbert Stuart – Estilo Norte-Americano

Stuart, foi um grande pintor da América do Norte do período  neoclássico. Recusava-se a seguir receitas estabelecidas para pintar pele, dizendo que não ia se curvar a mestre algum, mas “descobrir por minha conta o que é a natureza e vê-la com os meus próprios olhos”. Ele  usava todas as cores para se aproximar do tom de pele, mas sem misturar, o que achava que fazia a pele ficar com aparência de lama, feito sela de couro. Uma espécie de pré-impressionista, Stuart fazia a pela parecer luminosa, quase transparente, através de pinceladas rápidas em vez de camadas de verniz. Cada pincelada brilhava através das outras como sangue através da pele, dando um brilho de pérola aos seus rostos. A carne, disse Stuart, “não se parece com nenhuma outra substância debaixo do céu. Tem toda a alegria de uma loja de seda, sem sua pompa e seu lustro, e toda sobriedade de mogno antigo, sem sua tristeza.”

George Washington (O Retrato de Athenaeum) Gilbert Stuart - 1796George Washington, Stuart, 1796

Stuart foi equivalente ao pintor da corte para a nova república. Sua contribuição está em simplificar a retratação, descartando togas e gestos passageiros com o fim de enfatizar aspectos intemporais. Stuart pintou rostos com tanta acuidade que Benjamin West  chegou a dizer: Stuart “prega o rosto na tela”.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno

Assine nosso feed. É Grátis.

sábado, 29 de maio de 2010

Início da Arte Norte-Americana

O fato de um norte-americano talentoso ter que seguir seu ofício na Inglaterra (Benjamin West) devia-se ao estado atrasado das artes. A maior parte dos colonizadores era de fazendeiros, preocupados com a sobrevivência e mais interessados em utilidade do que em beleza. Eram de origem trabalhadora, dificilmente do tipo que patrocinaria obras-de-arte. A igreja não praticava o patronato, devido à influência do Puritanismo, com seu preconceito contra “imagens sepulcrais”. Não havia grandes edifícios a serem enfeitados nem grande riqueza que comprasse peças de luxo. Prata e acessórios exibiam perícia artesanal, e a arquitetura federal era bonita. Mas a escultura era praticamente desconhecida, com exceção da estatuária para cemitérios.

Os primeiros pintores norte-americanos foram, em geral, retratistas ou pintores autodidatas de tabuletas. Seu trabalho era linear com contornos rígidos e ausência de ponto focal. Não era de surpreender que o retrato fosse a mais procurada forma de arte, já que a política enfatizava respeito pelo indivíduo. Os iluminadores itinerantes, como eram chamados os primeiros artistas, pintavam retratos individuais ou de grupos, sem rostos no inverno e, na primavera,    procuravam clientes e preenchiam os vazios.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

Assine nosso feed. É Grátis.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Neoclassicismo Norte-Americano

A fundação da república norte-americana coincidiu com a popularidade do Neoclassicismo.  Por um século, os edifícios oficiais em Washington foram derivações do neoclassicismo.

O fato de o neoclassicismo ter se tornado o estilo  deveu-se  principalmente a Thomas Jefferson, um arquiteto amador. Ele construiu a Universidade de Virgínia à guisa de ensaio clássico. O conjunto incluía uma rotunda à maneira do Panteon e pavilhões na forma dos templos romanos. Jefferson usava as ordens dórica, jônica e coríntia para demonstrar aos estudantes os vários estilos de arquitetura.

Na escultura, as figuras antigas em estilo idealizado, clássico, também estavam na onda. Uma das mais aclamadas obras do século XIX foi a “Escrava Grega” (1843), de Hiram Power, estátua de mármore de uma menina nua acorrentada, que ganhou fama internacional. Horatio  Greenough aplicou a doutrina neoclássica com menos sucesso. O prático público norte-americano riu de sua estátua de um George Washington de peruca, torso nu e sandálias romanas.

O primeiro pintor nascido na América do Norte a receber aclamação internacional foi Benjamin West (1738-1820). Seu trabalho era um somatório do estilo neoclássico. Ficou tão famoso pelas cenas de batalha que se tornou presidente da Academia Real Britânica. West fez toda a sua carreira na Inglaterra, e seu ateliê em Londres era parada obrigatória para os pintores norte-americanos de visita.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

Technorati Marcas: ,

Assine nosso feed. É Grátis.

terça-feira, 18 de maio de 2010

ODALISCA (Parte IV)

 

O nu feminino de Larry Rivers.

 

Gosto de Olympia de Cara Preta, Rivers, 1970 Gosto de Olympia de Cara Preta, Larry Rivers, 1970

O pintor nova-iorquino Larry Rivers, nascido em 1923, fez parte da geração que se seguiu ao Expressionismo Abstrato, que desafiou a recusa  do Realismo por parte da arte abstrata e desenvolveu a arte pop. Rivers combinou  as pinceladas livres, vigorosas do Expressionismo Abstrato com temas de diversas fontes, indo da publicidade às belas artes. A cor, e não o tema, de acordo com Rivers, “é o que tem significado”. Sua versão de “Odalisca” de Manet dá uma nova cara a um conceito com séculos de idade.

Carol Strickland. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno.

Technorati Marcas: ,,

Assine nosso feed. É Grátis.

Leia Também: ODALISCA (Parte III)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

ODALISCA ( Parte III)

Giorgione e seu nu feminino

Vênus Adormecida, 1510 - Giorgione“Vênus Adormecida” (Vênus de Dresden), Giorgione, c. 1510

Staatliche Kunstsammlungen, Dresden. O primeiro nu feminino deitado como tema artístico foi do veneziano Giorgione, um pintor renascentista sobre o qual pouco se sabe. É provável    que tenha pintado “Vênus Adormecida”, em 1510, ano de sua morte precoce, de peste. Diz-se que Ticiano terminou a obra, acrescentando a paisagem arcádica e os panos. É comum ver associados a esse gênero popular de pintura um cenário simples, uma pose relaxada – a mulher recostada sobre travesseiros – e ausência de história. Giorgione era bonito e namorador, grande amante da beleza feminina, no entanto, retrata sua Vênus como uma figura de inocência, sem consciência de estar sendo observada.

Carol. Strickalnd. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós-Moderno

Technorati Marcas: ,,

Assine nosso Feed. É Grátis.

Leia Também: ODALISCA (Parte II)