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domingo, 13 de dezembro de 2009

Níveis de desenvolvimento Estético

Para  Abigail Housen, psicóloga americana, existe uma seqüência de níveis menos complexos para outros mais avançados, que se aproximam da leitura de imagem dos críticos, especialistas e historiadores da arte.

Veja os 5 níveis propostos por Housen:

  • Nível 1- Narrativo: Visitantes de Museus são contadores de histórias usando observações concretas, seus sentidos e associações pessoais para criar uma narrativa. As suas avaliações sobre a obra de arte são baseadas no que eles gostam e no que eles possam saber sobre a arte.  À medida que os visitantes parecem entrar na obra de arte, seus comentários são entremeados por termos emocionais, tornando-se parte do desenrolar de um drama.
  • Nível 2 - Construtivo: Os indivíduos criam uma estrutura para observar as obras de arte, usando as suas próprias percepções, conhecimento do mundo natural, valores morais e sociais e visões convencionais do mundo. Se a obra não parece ser do jeito que "deveria" (por exemplo, uma árvore ser alaranjada em vez de marrom ou se a maternidade for transposta para brigas sobre a sexualidade) então, o indivíduo julga a obra "estranha", sem valor. A habilidade, a  técnica, o trabalho árduo, a utilidade e a função não são evidentes. Respostas emocionais desaparecem à medida que os indivíduos se distanciam da obra de arte, focando só nas intenções do artista.
  • Nível 3 - Classificatório: Os indivíduos descrevem a obra usando terminologia analítica e crítica similar a dos historiadores. Eles classificam a obra  de acordo com o lugar, a escola, o estilo, o tempo e a proveniência. Eles decodificam a superfície da tela em busca de indícios, usando o seu cabedal de fatos e figuras. Uma vez separado em categorias, o indivíduo explica e racionaliza o significado e mensagem da obra.
  • Nível 4 -  Interpretativo: Os indivíduos buscam criar algum tipo de relação pessoal com a obra de arte. Eles exploram a tela, permitindo que interpretações da obra lentamente se revelam; eles apontam sutilezas da linha, forma e cor. Sentimentos e intuições precedem a percepção crítica, à medida que esses indivíduos permitem que os símbolos e significados da obra emerjam. Cada novo encontro com uma obra de arte evoca novas comparações, percepções e experiências. Eles aceitam a idéia de que o valor e identidade da obra estão sujeitos à reinterpretação, e veem uma possível interpretação passível de mudança.
  • Nivel 5 - Recriativo: Os indivíduos, depois de terem estabelecido uma longa história de observação e reflexão sobre obras de arte, estão agora prontos para suspender a incredulidade. Uma pintura  familiar é como um velho amigo - imediatamente conhecida, mas ainda cheia de surpresas, que necessita de atenção diária e plena. Em todas as amizades significativas, o tempo é um elemento chave. Conhecer a ecologia da obra - o seu tempo, a sua história, as suas questões, as suas viagens e as suas complexidades - e desenvolver a sua própria história com a obra, em particular, e com a observação, em geral, permitem a esses indivíduos combinar uma contemplação mais pessoal com uma que abarca preocupações mais universais.  Aqui a memória mistura a paisagem da pintura, combinando as visões pessoais e universais.

HOUSEN, A. The eye of the beholder: measuring aesthetic development. Trad. Denise Grinspum. Tesis doctoral inédita. Harvard Graduate School of Education, 198

IAVELBERG, Rosa. SAPIENZA TATIT, Tarcísio. ARSLAN MOURÂO, Luciana. Conviver, Arte vol. 1. Guia de Recursos Didáticos.

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sábado, 21 de novembro de 2009

Como apreciar um quadro

Assim como a música, a arte é uma linguagem universal. Ver uma obra-de-arte é sempre uma experiência agradável, mas aprecia-la integralmente exige certo conhecimento.

É necessário que se tenha algumas informações básicas de maneira simples, com o mínimos de conhecimentos técnicos.  Vamos citar aqui alguns critérios para analisar um quadro.

A Jangada da Medusa, de Théodore Géricault

Cor e Composição

A "Jangada da Medusa"  retrata vítimas de um naufrágio, à deriva, sem comida ou água, no momento em que se avistam um navio ao longe. O pintor representa o momento dramático - o instante em que os sobreviventes recuperam a esperança de salvamento - mas transmite o desespero da situação por meio de uma combinação de truques de pintura. Géricault usa todos os instrumentos do pintor - cor, composição, clima e luz - para representar o tema da luta do homem contra a natureza.

  • Composição. Géricault divide a cena em dois triângulos superpostos. O triângulo à esquerda, definido pelo homem no mastro e as duas cordas, mostra os mortos e os moribundos. O triângulo à direita, cujo pico é o homem de pé abanando com a camisa, é composto por figuras dinâmicas com braços estendidos, indicando a chegada da esperança. A colocação desse triângulo na extrema direita, a direção dos olhares, os gestos e o arranjo do planejamento, tudo isso contribui para o efeito de um impulso para diante e direciona o olhar do espectador ao ponto focal das figuras acenando freneticamente.
  • Movimento. Géricault cria a impressão de movimento contrastando as posturas das figuras. O quadro como um todo parece crescer para cima, partindo das figuras prostradas na parte de baixo à esquerda em direção ao alto do lado direito, onde se concentram as figuras sentadas e de braços estendidos. O homem que acena no alto do triângulo direito é o clímax da atmosfera de renascer da esperança e do movimento de avanço.
  • Unidade e Equilíbrio. Para evitar que os dois triângulos - um de desespero, outro de esperança - cortem o quadro pelo meio, Géricault superpõe os triângulos com figuras de transição aparecendo em ambos. Um braço corta a corda (alinha mais forte do triângulo esquerdo), apontando para o pico do triângulo principal e unificando as duas metades. Os dois triângulos descentrados também conduzem a direções diferentes, um equilibrando o outro.
  • Cor e Contraste Claro/Escuro. Géricault pinta nuvens de tempestade e ondas encrespadas escuras para criar um clima ameaçador. O horizonte - onde se situa o navio - brilha como um farol de salvação. Os fortes contrastes claro/escuro em todo o quadro implicam a alternância das emoções de esperança e desespero.
  • Clima. A miscelânea de linhas dos corpos contorcidos sugere um ambiente de turbulência, adequado ao tema de luta titânica contra os elementos.

A Jangada da Medusa, de Théodore Géricault

Ao olhar para uma obra-de-arte, o espectador deve considerar elementos como esses, que os artistas usam para criar efeitos. Quanto maior a profundidade de pensamento, sentimento, técnica e inventividade o artista coloca em sua obra, mais a obra se revela a um espectador atento. Apreciar a arte é tarefa gradual e infinita. Por isso é que a arte de todas as épocas ainda nos fascina e enriquece.

Fonte: Arte Comentada: por Carol Strickland

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