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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O anão Seneb e sua família

A escultura encontrada dentro de um pequeno naos em calcário, representa a família do anão Seneb, responsável pelo guarda-roupa do faraó e adepto do culto funerário dos soberanos Quéops e Djedefra, que  são citados nas cártulas na inscrição hieroglífica. Seneb está sentado em uma espécie de banco com apoio para os pés, ao lado da esposa sacerdotisa que o abraça com carinho em um gesto que indica os cuidados da esposa em relação ao marido cujo corpo é deformado. O nanismo de Seneb, longe de ser disfarçado, é mostrado com realismo e sábio equilíbrio formal, representando o homem em posição de escriba, com os dedos curtos e a cabeça desproporcionalmente grande. Essa escolha revela-se decididamente feliz no tratamento do conjunto, pois permite colocar todo o núcleo familiar em uma moldura ideal, onde as pernas do anão são substituídas pelas imagens de seus dois filhos. As crianças, nuas e com o dedo na boca, um típico comportamento infantil, funcionam metafóricamente como o apoio ao pai, verdadeiro fulcro de toda a composição, cuja anomalia física torna-se  a inspiração para uma busca original de harmonia. O resultado final é uma obra que, graças à habilidade do escultor, emana uma atmosfera de prazerosa serenidade, claramente expressa pelo doce sorriso esboçado nos lábios da esposa, que parece tornar a deformação física de Seneb menos penosa.

Escultura de Seneb e sua família

fonte: Coleção Folha. Grandes Museus do Mundo. Texto Silvia Einaudi. Museu Egípcio Cairo.

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Tríade de Miquerinos

As estátuas encontradas em 1908 por George Reisner, reproduzem com leves variações o mesmo esquema iconográfico. O soberano, caminhando com imponência na posição central, é acompanhado à direita pela deusa Hathor, identificada pelo seu habitual símbolo constituído por um disco solar entre dois chifres de vaca. A deusa abraça o soberano, assim como a outra figura feminina que, devido ao estandarte com a figura de Anúbis zoomorfo colocado sobre a sua cabeça, parece ser a personificação do  XVII  nomos (província) do Alto Egito.

Tríade de Miquerinos

Ambas usam uma longa veste aderente que ressalta as formas arredondadas de seus corpos, em contraste com o físico musculoso e atlético do faraó, coberto somente pelo típico saiote shendyt plissado, que deixa à mostra as longas pernas bem torneadas. Miquerinos traz na cabeça a fusiforme coroa branca do Alto Egito e tem o queixo coberto pela barba postiça estriada, símbolo tradicional da divindade. As várias tríades representam uma repetida homenagem do soberano à deusa Hathor, particularmente venerada nas províncias das quais cada escultura traz a personificação. Supõe-se, portanto, que originariamente as tríades fossem oito, como os nomos do Alto Egito, na maior parte ligados ao culto da Hathor, e fossem destinadas a decorar outras camadas do templo.

Em cada tríade, do lado esquerdo de Miquerinos está reproduzida a personificação de uma província particular do reino, detalhe que constitui o único forte elemento de diversidade entre os vários grupos de esculturas. O rosto arredondado do soberano, como o resto da escultura, é bem polido e quase aveludado graças ao uso de uma pedra não excessivamente dura, que permite tratar com suavidade as superfícies. A expressão serena de Miquerinos é muito semelhante à das figuras femininas ao seu lado, que aparecem, porém, mais baixas que o faraó por uma questão de respeito às proporções hierarquicas.

 

Na base da tríade, diante dos pés das figuras em posição ora de caminhada, ora estática, estão gravadas algumas colunas de hieróglios. O texto na parte esquerda da escultura traz o nome do faraó, escrito dentro da cártula, seguido pelo nome da deusa Hathor, à qual está associado o epíteto de “senhora da casa do sicômoro”. Diante da personificação do nomos encontra-se, no entanto, uma declaração de oferenda por parte da província, que doa ao faraó “todas as coisas boas”.

fonte: Coleção Folha. Grandes Museus do Mundo. Museu Egípcio do Cairo. texto. Silvia Einaudi.

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Leia Também:  Desenho Esquemático da Pirâmide

domingo, 6 de dezembro de 2009

Colete de Tutankhamon

Uma das obras de ourivesaria mais elaboradas e suntuosas do enxoval de Tutankhamon é certamente o colete, que faz parte do traje de gala do jovem soberano. A jóia, prerrogativa de faraós e divindades, é formada por duas partes, unidas entre si com fechos que deveriam cobrir respectivamente o peito e as costas de Tutankhamon.

Colete Faraó

Sobre uma densa malha de pequenos motivos em formato de gotas, bordada em cima e embaixo com um friso geométrico em ouro e massas vítreas, estão colocadas as alças dianteiras e traseiras do colete. Elas são compostas por uma fila dupla de anéis de ouro com marchetarias centrais em cloisinné e estão ligadas, tanto na frente quanto atrás, a um colar duplo formado por elementos em massa vítrea que imitam várias camadas de pequenas pérolas tubulares e em formato de gota. Da borda inferior do colar, que provavelmente enfeitava o peito do faraó, pende um quadrado trabalhado com incrustações trait d'union com o friso na parte inferior. A cena mostra o deus Amon-Rá, que coloca em Tutankhamon o símbolo do jubileu real e o sinal da vida. O faraó, que  traz sobre si um disco solar com serpentes, é seguido por outras divindades: Atum e Iusaas. O colar dorsal do colete apresenta uma variante: as faixas que o compõem são espaçadas por um quadrado de ouro que contém a imagem de um escaravelho com asas e cauda de falcão, ladeado por duas serpentes com coroas do Baixo e do Alto Egito. Desse motivo decorativo pende uma série de correntinhas com pequenas pérolas, no fundo das quais estão colocadas pequenas flores de papoula, de lótus e umbelas de papiro.

Coleção Folha. Grandes Museus do Mundo. Museu Egípcio do Cairo. texto de Silvia Einaudi

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sábado, 5 de dezembro de 2009

Trono de Tutankhamon

 

Trono de Tutankhamon 

O trono de Tutankhamon foi confeccionado em madeira dourada e remonta aos primeiros anos de seu reinado, traz no espaldar uma vigorosa cena, ainda claramente permeada de influência artística amarniana. O faraó, cujo nome está escrito na forma original de Tutankhamon dentro da cártula, obedecendo ao culto do disco solar Aton, aparece comodamente sentado em um trono com os pés apoiados sobre um pequeno banco com uma almofada. Diante dele, em pé, encontra-se a jovem esposa Ankhespaaton, cujo nome seria transformado em Ankhesenamon após a restauração religiosa e o retorno à ortodoxia amoniana. Minuciosas marchetarias de massa vítrea colorida, pedras duras e prata compõem as duas figuras, que em ambos os casos usam uma suntuosa coroa sobre a curta peruca azul e um largo colar no peito.

 A representação completa é colocada abaixo da imagem protetora do disco solar que, sobre o casal, estende os seus raios que emanam vida. O restante do trono é caracterizado por um delicado entalhe e decorações em marchetaria, dispostos com cuidadoso equilíbrio cromático, como se vê nos braços,decorados com a figura de uma grande e elevada cobra alada que protege, diante de si, a cártula com o nome do soberano.

O soberano veste um longo saiote plissado com o cinto rebaixado na parte frontal, segundo a habitual iconografia do período anterior, enquanto a rainha usa uma longa e fina veste de pregas, que deixa entrever o seu corpo. Ankhespaaton é representada aplicando um unguento (contido na taça que está segurando nas mãos) no ombro do marido, em uma daquelas cenas de intimidade familiar que aparecem exatamente durante o reinado do antecessor Amenófis.

 

  • Material: madeira, folha de ouro, prata, massas vítreas e pedras duras.
  • altura: 102 cm
  • largura 54 cm
  • profundidade 60 cm

Coleção Folha. Grande Museus do Mundo. Museu Egípcio do Cairo. texto de Silvia Einaudi

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Sarcófago interno de Tutankhamon

A múmia de Tutankhamon, foi colocada em um sarcófago em ouro maciço, pesando aproximadamente cento e dez quilos, depois foi colocado em dois sarcófagos de madeira folheada a ouro e, enfim, em uma caixa externa de quatzito com tampa de granito, ainda hoje na tumba.

 

Sarcófago de Tutankhamon

O sarcófago, que recupera a imagem do morto divinizado reproduzida na tampa, é o triunfo da opulência e atenção aos detalhes. As partes de ouro trabalhadas em relevo e gravadas, são ladeadas de porções minuciosamente enriquecidas por pequenas marchetarias de pedras duras e massas vítreas no peito. Tutankhamon, aparece, com todos os símbolos do poder: o véu nemes enfeitado na testa pela naja e pelo falcão (símbolos das deusas protetoras do Egito, reproduzidas com asas abertas também sobre o peito), a barba divina, o cetro e o mangual nas mãos. A esses elementos são acrescentados outros de diferentes significados, como o colar formado por discos de ouro e faiança, que evoca a recompensa reservada aos militares distintos ou às figuras das deusas Ísis e Nefti gravadas na altura  das pernas, que protegem o soberano defunto. Inscrições hieroglíficas, no centro da tampa e ao longo das bordas do sarcófago, garantem mais proteção a Tutankhamon, cujo nome aparece escrito dentro da cártula real.

Veja foto mais detalhada:

Sarcófago interno Tutankhamon (detalhes)

Material: Ouro, pedras preciosas e massa vítrea.

Dimensões: comprimento 187 cm, altura 51 cm, largura 51,3 cm

fonte: Coleção Folha. Grandes Museus do Mundo. Museu Egípcio do Cairo. texto. Silvia Eunaudi.

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Leia Também: A Arte da Mumificação

Máscara mortuária de Tutankhamon

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Máscara mortuária de Tutankhamon

XVIII  dinastia  (1333-1323 a.C)

O Faraó Tutankhamon, morto aos 19 anos, não foi importante em vida. Mas na morte, passados três mil anos, tornou-se o mais famoso de todos os faraós. Seu túmulo foi o único descoberto em condições próximas às originais. O arqueólogo inglês Howard Carter era o único a acreditar que a tumba poderia ser encontrada. Durante seis anos ele escavou o Vale dos Reis e, por duas vezes chegou a dois metros da entrada da tumba. Em 1922, literalmente bateu os olhos na tumba. Ao acender um fósforo para enxergar na escuridão, vu "o brilho do ouro em toda parte".

A câmara mortuária continha desde cestas de frutas e guirlandas de flores que ainda mantinham as cores, uma cama dobrável, uma caixa de brinquedos  e até quatro carruagens totalmente revestidas em ouro. De fato, o ouro predominava na decoração: sofás em ouro, trono dourado, paredes de ouro, um caixão de quase dois metros de ouro maciço, além da hoje famosa máscara mortuária cobrindo o rosto da real múmia.

Máscara Mortuária de Tutankhamon

Tendo se tornado símbolos do antigo Egito e seus esplendores, a máscara foi encontrada na cabeça da múmia. A riqueza, a suntuosidade e o esmero no feitio fizeram dela uma obra-prima universalmente conhecida.

A máscara, fruto de um trabalho de grande habilidade na ourivesaria, oferece um retrato idealizado do faraó, com traços que revelam o legado artístico da época de Ahhenaton, já terminada, mesmo sendo tratados com maior equilíbrio e elegância, como no caso dos olhos, muito afilados, e dos lábios com o perfil carnoso. Tutankhamon usa os tradicionais símbolos da realeza: o véu nemes, cujas estrias são representadas com marchetaria de lápis-lazúli em ouro maciço, a imagem da naja e do abutre na testa (símbolo das deusas Uadjet e Nekhbet, senhoras do Egito unificado) e a barba postiça que equipara o soberano às divindades.

Veja os detalhes da máscara mortuária:

 

A naja e o abutre, que se erguem ameaçadores na testa do soberano para protegê-lo dos inimigos, são feitos com uma série de pedras duras e massas vítreas coloridas encaixadas no metal precioso. O longo e sinuoso corpo da naja, em ouro maciço desenrola-se acima do nemes com extremo realismo.

 

Os olhos, contornados de azul como as sobrancelhas, são feitos com marchetaria usando a obsidiana (para a íris) e o quartzo (para a órbita). Um pequeno toque de vermelho nos cantos dos olhos garantem, ao olhar fixo do jovem soberano, uma inesperada sensação de realismo.

 

O colar é formado por doze voltas de pequenas pérolas policromadas, das quais a mais externa imita pingentes em formato de gota. O fecho evoca duas cabeças de falcão apoiadas sobre os ombros. A parte posterior da máscara, na altura do dorso, apresenta um longo texto hieroglífico gravado no ouro , que coloca de maneira  ideal os membros do faraó sob a proteção de outras divindades.

Confeccionada em ouro maciço, lápis-lazúli, cornalina, obsidiana, turquesa e massas vítreas. 54 cm de altura.

Strickland, Carol. A Arte Comentada, da Pré-História ao Pós Moderno.  Coleção Folha. Grande Museus do Mundo, Texto Silvia Einaudi. p. 80-1.

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Desenho Esquemático da Pirâmide

Interior da Pirâmide, câmara mortuária, câmara definitiva, Grande Galeria.

 

O projeto da pirâmide inclui:

  • Câmaras mortuárias (1 e 2) inacabadas
  • A câmara definitiva (3) só é acessível por meio da Grande Galeria
  • Grande Galeria (4) recebe ventilação por duas fendas estreitas (5 e 6).
  • Depois que o Corredor Ascendente (7) era selado por dentro com tampões de pedra, os operários saiam da galeria por um túnel (8) e subiam pelo Corredor Descendente (9)

Strickland, Carol. A Arte Comentada, da Pré-História ao Pós Moderno.

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Grande Pirâmide

Uma das oitenta pirâmides remanescentes, a Grande Pirâmide de Quéops, em Gize, é a maior estrutura em pedra de todo mundo. Os antigos egípcios fizeram um quadrado perfeito - com tanta maestria que o ângulo sudeste é apenas um centímetro mais alto que o ângulo noroeste. O interior é massa praticamente sólida de lajes de calcário, o que exigiu excelentes técnicas de engenharia para proteger as pequenas câmaras mortuárias do peso maciço das pedras acima. O teto da Grande Galeria foi construído em camadas e escorado, enquanto a câmara do faraó recebeu um teto de seis camadas de granito sobre compartimentos separados, para aliviar a tensão e deslocar o peso dos blocos diretamente acima. Construída para durar para sempre, permanece até nossos dias. Se fossemos construir a Grande Pirâmide precisaríamos de:

Material:

  • 2.300.oo0 blocos de calcário, cada um pesando em média 2 ¹/2 toneladas
  • Ferramentas rudimentares para cortar cobre e pedra;
  • Barcaças para trazer os blocos das pedreiras da margem leste para a margem oeste do rio Nilo;
  • Rolos de Madeira, rampas temporárias de tijolos, pranchas de madeira para levantar as pedras no local  da construção;
  • Calcário branco-perolado para revestir a superfície de uma pirâmide de 160 metros de altura.

Pessoal:

  • 4.000 operários para mover blocos de até 15 toneladas, sem a ajuda de animais de tração, roda ou talhadeira.

Tempo Estimado:

  • 23 anos (na época o tempo médio de vida era 35 anos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pirâmide de Quóps

Strickland, Carol. Arte Comentada, da Pré-História ao Pós-Moderno.

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A Arte da Mumificação

Os egípcios acreditavam que o ka, ou força vital, era imortal. Com o objetivo de fornecer um receptáculo durável para o espírito,  aperfeiçoaram a ciência do embalsamamento. A preservação do corpo começava com a extração do cérebro do falecido através das narinas, com um gancho de metal. As vísceras - fígados, pulmões, estômago e intestinos - eram removidas e preservadas em urnas separadas. O que  restava ficava imerso em salmoura durante um mês, e depois o cadáver em conserva era literalmente estendido para  secar. O cadáver enrugado, era então recheado - os seios das mulheres eram estofados -, envolto  em várias camadas de ataduras, e finalmente confinado num caixão e num sarcófago de pedra. Na verdade, o clima seco do Egito e a ausência de bactérias nas areias  e no ar provavelmente contribuíam para a preservação do corpo tanto quanto este tratamento químico. Em 1881, quarenta corpos de reis foram descobertos, inclusive  o do Faraó Ramsés II, que tinha a pele ressecada, os dentes e o cabelo ainda intactos. O monarca de três mil anos de idade, em cuja corte Moisés se criou, era chamado "O Grande", e por boas razões: gerou mais de cem filhos durante seus opulentos 67 anos de reinado. No entanto, quando um inspetor da alfândega examinou os restos de Ramsés II, na transferência da múmia para o Cairo, rotulou-o como "peixe seco".

 

Cabeça de Ramsés II, Múmia

Strickland, Carol. Arte Comentada. Da Pré-História ao Pós Moderno

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Egito - A Arte da Imortalidade

Em vista da obsessão da sociedade egípcia com a imortalidade, não é de surpreender que a arte tenha se mantido sem mudanças por 3 mil anos. Sua mais alta preocupação era garantir uma vida após a morte confortável para seus soberanos, que eram considerados deuses. A colossal arquitetura e as obras-de-arte existiam  para cercar o espírito do faraó de glória eterna.

Nessa busca de permanência, os egípcios definiram o essencial para uma grande civilização: literatura, ciências médicas e alta matemática. Não apenas desenvolveram uma cultura impressionante - apesar de estática - mas, enquanto outras civilizações nasciam e morriam com a regularidade das cheias do rio Nilo, o Egito sustentou o primeiro estado unificado de grande porte durante três milênios. Muito do que se conhece sobre o Egito antigo provém das tumbas que restaram. Como os egípcios acreditavam que o ka, o espírito, do faraó era imortal, depositavam em sua tumba todos os bens terrenos para que ele os usasse na eternidade. As pinturas e os hieróglifos nas paredes eram uma forma de inventariar a vida e as atividades diárias do falecido nos mínimos detalhes. Estátuas do faraó ofereciam uma morada alternativa para o ka, caso o corpo mumificado se deteriorasse e não pudesse mais hospeda-lo.

 

"Príncipe Rahotep e sua esposa Nofret" - Museu Egípcio, Cairo

A pintura e a escultura obedeciam a padrões rígidos de representação da figura humana. A forma humana é representada em visão frontal do olho e dos ombros.

Olhos da princesa Nofret. Assim como seu marido,  o príncipe Rahotep, os olhos  são representados em visão frontal.

Busto de Nofret

Sobre o formoso busto de Nofret, onde transparecem os seios rígidos sob a veste está pintado um largo colar do tipo usekh, que reproduz uma jóia muito difundida no antigo Egito.  Trata-se de uma jóia formada por muitas voltas de pérolas com diferentes formas, materiais e cores, que na imagem são representados por linhas multicoloridas simples que terminam com uma fila de pingentes em formato de gota.

 

Hieróglifos

hieróglifos

Um grande destaque é dado aos hieróglifos pintados de preto no fundo branco dos espaldares. O texto reproduzido com perfeita igualdade nos dois lados da cabeça de Nofret traz o nome da morta, precedido do título rekhet nesu, "aquela que conhece o rei", expressão que coloca em evidência a sua privilegiada proximidade da esfera real

Material:  Calcário pintado. 

Espaldar: As costas da cadeira, parte superior do dossel.

Strickland, Carol. A Arte Comentada, da Pré-História ao Pós Moderno. Coleções Folha. Grandes Museus do Mundo.  Texto:  Silvia Einaudi

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Egito

O que é Egiptologia?

Ramo especial da arqueologia, a egiptologia tenta reconstruir a civilização egípcia a partir de um imenso celeiro de antiguidades que sobreviveram.

Essa ciência teve início em 1799, quando Napoleão invadiu o Egito. Além de 38 mil soldados, o imperador levou 175 estudiosos, lingüistas, antiquários e artistas. Esses arqueólogos pioneiros carregaram para a França um enorme tesouro em obras-de-arte, dentre elas a Pedra Roseta, uma laje de basalto com a mesma inscrição em três línguas, incluindo o grego e os hieroglifos.

Pedra Roseta 

Durante 15 séculos, pesquisadores haviam estudado os hieróglifos sem nada compreenderem, mas, ao fim de 22 anos, o lingüista francês Jean-François Champollion decifrou o código. Essa descoberta despertou grande interesse pelo Egito antigo. Os primeiros egiptólogos saqueavam túmulos e templos, fornecendo objetos para as coleções européias. Papiros, tecidos e artigos de madeira, que haviam sobrevivido intactos por milhares de anos, eram destruídos da noite para o dia. Felizmente, extensas escavações e pesquisas científicas vieram substituir esses métodos primitivos.

Os túmulos, verdadeiras cápsulas de informação sobre a vida cotidiana de seus ocupantes, forneceram conhecimentos detalhados dessa civilização desaparecida.

 

Basalto: Rocha escura, de origem ígnea e de grande dureza.

Ígneo: Concernente ao fogo, que tem a cor ou a natureza do fogo, produzido pela ação do fogo

Strickland, Carol. A Arte Comentada, da Pré-História ao Pós Moderno.

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